A Eurotunnel chegou a acordo com a DFDS para lhe vender os dois ro-pax da MyFerry Link. Ficará com o ro-ro Nord-Pas-de-Calais, que se propõe explorar em complemento à travessia ferroviária.

MyFerryLink

A Eurotunnel preferia vender à SCOP SeaFrance, a cooperativa de ex-trabalhadores que operou o serviço desde que ele foi lançado. Mas faltaram os apoios e a alternativa passa por vender à DFDS, um dos mais aguerridos opositores da MyFeerryLink.

Ainda assim, o negócio da Eurotunnel com a DFDS é uma esperança para os cerca de 500 trabalhadores da SCOP, mesmo se o operador de ferries dinamarquês não irá integrar todos. “Será um plano de venda com uma condição, que espero a máxima possível, [da manutenção] dos postos de trabalho, mas que não será igual a 100%, creio que todos já perceberam isso há muito tempo”, afirmou, em conferência de imprensa, o CEO da Eurotunnel, Jacques Gounon.

Os dois navios abrangidos pelo acordo são o Rodin e o Berlioz, que oferecem 16 ligações diárias entre Dover e Calais.

A Eurotunnel pretende prosseguir com a exploração do seu terceiro navio, o ro-ro Nord-Pas-de-Calais, em complemento à actividade ferroviária, e assim o solicitará à autoridade da Concorrência britânica (CMA).

Em 2012, a Eurotunnel comprou, por 65 milhões de euros, os três navios da massa falida da SeaFrance e cedeu-os, depois, a uma cooperativa de ex-trabalhadores do operador desaparecido.

Daí para cá tem havido um braço de ferro jurídico entre Eurotunnel e a CMA. Os responsáveis pela Eurotunnel afirmam-se cansados da batalha jurídica e nem mesmo a vitória conseguida, em Maio, no tribunal de recurso de Londres, que autorizou a continuação da operação da MyFerryLink (ao contrário do imposto pela CMA), os fez mudar a decisão de abandono do negócio.

A MyFerryLink tem cerca de 10% de quota do mercado trans-Mancha, tendo no ano passado transportado 400 000 camiões e 350 mil veículos ligeiros.

Sem a MyFerryLink, o mercado fica restringido a dois operadores – DFDS e P&O – de dimensão semelhante.

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