Luís Novais, que se demitiu da Administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), confirmou hoje, no Parlamento, a existência de um contrato com a Douro Azul para a construção de quatro navios-hotel.

Mário Ferreira, dono da Douro Azul, referiu há dias a existência de tal contrato, tendo culpado a administração dos estaleiros de Viana pela sua não concretização. A construção dos dois primeiros navios foi adjudicada a um consórcio liderado pela Navalria.

Hoje, na comissão parlamentar de Defesa Nacional, Luís Novais confirmou o essencial das palavras do empresário, referindo que o contrato promessa assinado com a Douro Azul ascendia a 44,9 milhões de euros.

“O contrato foi apresentado ao Governo para quatro barcos, em Novembro. Não percebi a mudança dos meus colegas. O mesmo que valia em Novembro, quando apresentámos ao Governo cenários já com os quatro navios, depois não valia. Não entendo como é que mais tarde viemos a mudar de opinião”, disse o ex-administrador. “Meteu-me pena termos perdido esse contrato”, reforçou.

Luís Novais referiu ainda aos deputados um outro episódio, que terá ajudado à sua demissão, este relacionado com o financiamento da compra da matéria-prima necessária à construção dos navios-asfalteiros encomendados pela Venezuela. Segundo ele, os outros administradores terão inviabilizado a negociação com um banco internacional.

A encomenda da Venezuela vale 128 milhões de euros, mas a ENVC não terá condições para encaixar aquele montante, uma vez que não tem dinheiro para adquirir os materiais necessários.

Entretanto, o Governo decidiu avançar com a privatização total dos estaleiros de Viana. A Douro Azul e a Navalria já descartaram concorrer, mas o “JdN” avançou ontem que as duas empresas propuseram ao Governo, em Agosto passado, assumirem a concessão da ENVC, preservando os postos de trabalho e “garantindo” lucros já para 2015.

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