O antigo presidente da Autoridade da Concorrência, Abel Mateus, diz ser possível baixar os preços dos combustíveis 7 a 8 cêntimos por litro. Mas que essa não é uma prioridade do Governo.

Em Portugal, disse Abel Mateus aos deputados da Comissão de Assuntos Económicos e Energia, os preços dos combustíveis “sobem como um foguetão e descem como uma pena”. Um cenário típico “de mercados oligopólicos em que há barreiras à importação”, sublinhou.

Abel Mateus recordou que a Galp refina 90% dos combustíveis consumidos em Portugal, pelo que “o problema começa logo na importação”, ou falta dela.

Para o ex-presidente da AdC, “é possível reduzir em 7 ou 8 cêntimos o preço do litro” de combustível se forem adoptadas medidas estruturais. E enumerou algumas: “A promoção de novos terminais para manuseamento da produção líquida, procurar que os oleodutos não estejam nas mãos das gasolineiras, criar regulação para os monopólios naturais e facilitar o licenciamento de postos de combustível”.

Abel Mateus reforçou a ideia dizendo que “o que falta é vontade politica para as medidas andarem para a frente porque até já foram discutidas” e que “esta não é uma prioridade do Governo”.

O antigo responsável da AdC aludiu por várias vezes, no decorrer da audição, ao ritmo dos ajustamentos dos preços aos mercados internacionais, rápido na subida e lento na descida. “Mercados que sobem os preços como um foguetão e os fazem descer como uma pena são casos típicos de falta de concorrência”, disse Abel Mateus.

Num período de 17 semanas analisado pela “Lusa” a partir de Setembro do ano passado, os preços da gasolina 95 subiram na bomba todas as semanas à excepção de quatro, enquanto nos mercados internacionais as cotações deste combustível desceram sete vezes.

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