O movimento “Lousã pelo Ramal” exige a reposição da circulação ferroviária no Ramal da Lousã, a extinção da sociedade Metro Mondego (MM) e o regresso do serviço público de transporte sob responsabilidade da CP.

Ramal da Lousã

As exigências constam de um manifesto aprovado num plenário realizado na Lousã, na terça-feira à noite, com a presença de cerca de 50 cidadãos, para assinalar os seis anos do encerramento da linha para obras.

Criado há um ano, na Lousã, o movimento exige que o Governo “decida por uma solução electrificada para o Ramal da Lousã, aproveitando os
fundos comunitários europeus para a ferrovia, salvaguardando o futuro transporte de mercadorias” e a ligação à Rede Ferroviária Nacional.

“Após seis anos de interrupção de um serviço ferroviário centenário, “Lousã pelo Ramal” não pode deixar de manifestar a sua indignação perante a situação e impasse a que se chegou, que condiciona gravemente a mobilidade dos lousanenses e mirandenses para acesso ao trabalho, ao estudo e à saúde” na capital do distrito.

O movimento “Lousã pelo Ramal” reúne cidadãos da região, incluindo autarcas, empresários, dirigentes associativos e militantes de diferentes partidos, e tem como porta-voz o engenheiro civil Pedro Curvelo, que foi também vereador na Câmara da Lousã em representação do PSD.

No manifesto, intitulado “Pela reposição urgente do Ramal da Lousã” e citado pela “Lusa”, são rejeitadas “soluções ditas alternativas de autocarros eléctricos e do fantasma Metro Mondego, sem qualquer viabilidade de financiamento e desadequado a uma via com características suburbanas”, sendo defendida “a extinção de uma vez por todas” da MM, considerada “um sorvedouro de dinheiros públicos e sem qualquer actividade” há vários anos.

É igualmente preconizada a “responsabilização conjunta” do Governo e dos municípios da Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra “numa solução urgente e viável para o Ramal da Lousã, com o reconhecimento de que o projecto MM não passou de um grande embuste”.

O movimento reitera o seu apoio a uma proposta do professor universitário Manuel Tão, doutorado em Transportes pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, que aponta para a reposição do serviço ferroviário entre Serpins e Coimbra Parque, “com uma ligação técnica” a Coimbra B.

Entre outras alegadas vantagens, esta solução “pode manter a bitola ibérica”, mantendo o acesso à Rede Ferroviária Nacional, permitindo “a reposição imediata do Ramal da Lousã e uma futura interligação com um metro que venha a existir” em Coimbra.

“Não se tolera que os sucessivos governos, as câmaras municipais (…) e administrações da MM tenham decidido ou permitido a destruição da linha ferroviária da Lousã e posteriormente a tenham abandonado”, lê-se no documento.

Por fim, “Lousã pelo Ramal” apela às câmaras de Coimbra, Lousã e Miranda “para que defendam de facto o interesse dos utentes e que não se deixem manipular por soluções megalómanas e irrealistas”.

O manifesto será entregue às câmaras e assembleias municipais da região, ao Governo e aos partidos com assento parlamentar. No dia 16, o movimento vai assinalar os 109 anos do Ramal da Lousã com um jantar aberto aos cidadãos interessados.

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