Face à concorrência dos que apostam no Corredor Atlântico, o Parlamento da Extremadura espanhola insiste no carácter prioritário do eixo ferroviário para mercadorias que há-de ligar o porto de Sines a Madrid e à Europa, e cuja concretização está ligada, do lado de cá da fronteira, à linha AV Lisboa-Madrid.

O Parlamento autonómico da Extremadura propõe-se defender junto do governo espanhol e da Comissão Europeia a reafirmação, em Outubro próximo, do carácter prioritário do denominado Eixo 16 da Rede Transeuropeia de Transportes. Uma declaração nesse sentido foi aprovada pelos três partidos políticos representados na assembleia.

Em causa está a ligação ferroviária, exclusiva para o tráfego de mercadorias, que há-de ligar o porto de Sines a Elvas-Badajoz, seguindo depois para Madrid e Saragoça, para entrar em França pelos Pirinéus até Paris. O eixo compreende também a ligação ao porto de Algeciras.

A iniciativa do Parlamento da Extremadura visa compensar o “lobby” liderado pelo País Basco em prol da escolha do chamado Corredor Atlântico como projecto prioritário para a Comissão Europeia. A ligação partirá de Sines e seguirá para o Porto, Valladolid, Irun e Paris, sem passar por Madrid. Esta solução contará com o apoio da Galiza, Castela-Leão, Astúrias e Cantábria.

Por cá, a futura ligação ferroviária de Sines à fronteira está concluída até Évora. Mas a linha só será exclusiva para mercadorias quando existir a ligação de Alta Velocidade Lisboa-Madrid, e mesmo a construção da via entre Évora e a fronteira está também dependente do avanço da PPP Poceirão-Caia.

O Governo PSD-PP anunciou no seu Programa a suspensão da Alta Velocidade mas agora está antes a reequacionar o projecto, com o objectivo de reduzir os seus custos em cerca de 30-40%.

Notícias hoje vindas a público dão conta que terá sido pedido ao Tribunal de Contas que atrasasse a concessão do visto prévio ao contrato da concessão, para dar tempo ao Executivo para rever o projecto sem incorrer em maiores indemnizações ao consórcio vencedor.

A pressionar o Executivo para não abandonar a Alta Velocidade estará também o governo espanhol, e ainda o facto de estarem em risco largos milhões de euros de fundos comunitários que de outro modo poderão ser perdidos.

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