As c0mpanhias de transporte marítimo de contentores beneficiaram de um aumento modesto das taxas de frete desde o início do ano, mas a recuperação sustentável do mercado só será alcançada com um equilíbrio entre a oferta e procura através de cortes de capacidade, de acordo com a Fitch Rating,

MSC Zoe

No ano passado, os volumes de transporte de contentores superaram o crescimento da capacidade pela primeira vez desde 2010/2011, ajudados por uma maior taxa de desmantelamento de navios e entregas adiadas, lembra a Fitch.

Porém, avisa a agência de notação financeira, “esperamos que isso seja apenas uma reversão temporária, uma vez que o crescimento da capacidade líquida irá acelerar em 2017 e 2018, superando o crescimento da procura e contribuindo para aumentar o excesso de capacidade. O desempenho relativamente forte no primeiro trimestre de 2017 sugere que há alguma vantagem em relação às nossas previsões de procura, mas acreditamos que isso levará a menos desmantelamentos e ao regresso da frota inactiva em vez de favorecer um melhor saldo de procura e oferta”, indica a nota da companhia.

A Fitch indica que a recuperação moderada dos preços médios dos fretes, se continuar ao longo do ano, deve suportar uma melhoria nas métricas de crédito das companhias de transporte de contentores em 2017, mas avisa que o desempenho variará significativamente consoante a dimensão dos operadores.

“As companhias mais pequenas e menos diversificadas, como a Yang Ming, podem ter dificuldades para alcançar um EBIT positivo, enquanto companhias com escala, diversidade geográfica e registo de redução de custos bem-sucedida, como a CMA CGM e a COSCO, provavelmente funcionarão comparativamente bem. Os preços mais altos do combustível poderão compensar alguns ganhos com o aumento dos preços dos fretes. Também é provável que haja um impacto limitado no sector do problema diplomático do Qatar, ao qual a Hapag-Lloyd/United Arab Shipping tem a maior exposição”, prevê a agência de notação financeira.

Fusões e aquisições melhores que as alianças

A Fitch indica ainda que, embora a redução de custos ofereça suporte financeiro, o equilíbrio do mercado é necessário para uma melhoria sustentável das finanças. “Vemos as fusões e aquisições, e não as alianças, como a rota mais provável para restaurar o equilíbrio procura/oferta no transporte de contentores. Isso acontece porque as alianças têm capacidade limitada de gerir redes e capacidade e optimizar a estrutura de custos, enquanto as fusões e aquisições podem levar a uma gestão mais prudente da capacidade”, indica a agªencia.

Esta tendência está, de resto, em curso. De acordo com a mesma fonte, as cinco maiores companhias de transporte de contentores estão a aumentar a quota conjunta justamente através da consolidação. A Fitch estima que estas tenham uma quota de mercado conjunta de 57% em 2018, contra 45% em 2016 e 27% em 1996.

“Mas muitas das pequenas companhias restantes têm métricas de crédito fracas. A sua capacidade de permanecer à tona dependerá em grande parte dos preços dos fretes, que são voláteis, e da vontade dos bancos em facultarem financiamento”, remata a Fitch.

 

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