O governo francês prevê juntar de novo a gestora da infra-estrutura (RFF) e a operadora pública (SNCF), no âmbito da reestruturação do sector ferroviário prevista para o próximo ano.

Quando Bruxelas propõe dar um novo impulso à liberalização do mercado europeu de transporte ferroviário, nomeadamente acentuando a separação entre os gestores das infra-estruturas e os operadores de transporte, Paris prepara-se para juntar de novo a RFF e a SNCF, separadas desde 1997.

A ideia é criar uma holding pública única, com dois ramos: de um lado a SNCF e do outro a GIU (de Gestor de Infraestrutura Unificado). Sendo que este último reunirá o pessoal da RFF e dos serviços de manutenção de infra-estruturas e de organização da circulação da SNCF.

O ministro dos Transportes, Frédéric Cuvilier, defende que é chegado o momento de “reunir a família ferroviária sob um mesmo tecto” e de por cobro “a rivalidades passadas”. Objectivo: “optimizar o funcionamento de um sistema que se tornou kafkiano nos últimos anos”, reforçou.

O ministro garante, todavia, que o novo modelo não comprometerá a concorrência no sector. Nomeadamente a partir de 2019, para quando se prevê a liberalização do mercado interno de transporte de passageiros.

A nova organização, que se diz mais do agrado da SNCF, decalca o modelo alemão. Já a RFF preferiria acentuar a separação entre a gestão da infraestrutura e a operação dos serviços.

A reestruturação do sector ferroviário em França é pressionada pela dívida galopante do sector. Actualmente ultrapassa os 32 mil  milhões de euros e cresce mais de mil milhões por ano, devendo duplicar até 2025 se nada for feito.

 

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