Reforçar a liderança na logística automóvel, alcançada no ano passado, e aproveitar todas as oportunidades para fazer crescer os restantes segmentos do negócio são os objectivos assumidos pelo novo director-geral da GEFCO Portugal, Jorge Possollo, em entrevista ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Gefco - Jorge Possolo

Geólogo de formação mas com uma extensa – e reconhecida – experiência no sector, Jorge Possollo assumiu no final de Março a liderança da GEFCO Portugal. E mesmo se o contexto não é o mais favorável,  assume claramente o compromisso de fazer crescer a companhia, em benefício dos clientes e dos accionistas.

T&N – Como recebeu o desafio para liderar os destinos da GEFCO Portugal?

Jorge PossolloTrata-se efectivamente de um grande desafio, liderar uma empresa com o prestígio e credibilidade que a GEFCO Portugal tem e a posição que já ocupa no mercado nacional de transportes e logística, e também pelo facto de a companhia integrar um grupo que está presente em todo o mundo, sendo líder de mercado em algumas geografias e segmentos.

Como tal, recebi este desafio com grande satisfação pessoal e ambição para a empresa. Dada a experiência que fui adquirindo ao longo dos anos neste sector de actividade, acredito poder ajudar a GEFCO Portugal a reforçar a sua posição neste mercado competitivo.

T&N – Quais os objectivos iniciais?

Jorge PossoloO meu primeiro objectivo é reunir todos os colaboradores em torno desse objectivo comum de desenvolvimento do negócio e da quota de mercado da GEFCO em todos os sectores onde a empresa foca a sua actividade. Considero que só assim se consegue a motivação da nossa equipa de profissionais e que esta motivação está na base do sucesso de qualquer empresa em qualquer ramo de actividade.

O meu segundo objectivo é conseguir uma cada vez maior consolidação da presença da GEFCO Portugal, tanto no mercado nacional como nos transportes internacionais, reforçando a sua quota de mercado globalmente e através de cada uma das nossas áreas de actividade.

Relativamente ao mercado automóvel, pretende-se potenciar, num futuro próximo, o desenvolvimento de serviços mais inovadores, que supram as necessidades existentes, embora ainda não totalmente identificadas pelo mercado. Acredito que as maiores oportunidades se encontram no que chamamos o nosso “não mercado”, com o desenvolvimento de novos modelos de negócio, que tragam vantagens claras para os nossos clientes. Estaremos no entanto sempre atentos a todas as oportunidades que possam surgir, para o desenvolvimento da pegada da GEFCO, quer nacional quer internacionalmente.

T&N – Como pretende a GEFCO fechar 2016 em Portugal, em termos de volume de negócios, carga e quota de mercado?

Jorge PossoloNum mercado tão volátil como Portugal, em todos os sectores de actividade, essas previsões são sempre arriscadas; e no caso da GEFCO são do foro interno da empresa, que não nos encontramos autorizados a revelar neste momento. Mas posso dizer que a GEFCO tudo fará no sentido da consolidação da liderança na logística automóvel alcançada em 2015 e da continuação do desenvolvimento da nossa quota de mercado no sector industrial.

Por exemplo, as previsões apontam para uma evolução do mercado automóvel da ordem dos 8%. O foco da GEFCO Portugal passa por acompanhar esse crescimento, reforçando, em paralelo, o envolvimento dos restantes segmentos. Acreditamos que se consiga consolidar a posição de liderança alcançada e até com reforço dessa mesma liderança. 

T&N – Historicamente, até pela ligação ao grupo PSA Peugeot Citroën (até à venda, em Janeiro de 2013, à RZD), o sector automóvel é um dos maiores mercados para a GEFCO. Qual tem sido a evolução deste sector no mix da facturação da empresa?

Jorge Possolo – O peso do sector automóvel, que está na origem do grupo, foi, é e continuará a ser muito relevante. A nossa estratégia passa pela diferenciação nos serviços que prestamos com vista à consolidação e desenvolvimento da nossa quota de mercado.

No Plano Estratégico para 2020, o foco passa por continuar a servir os fabricantes e em optimizar a sua cadeia de abastecimento, oferecendo ao mercado soluções inovadoras. No entanto, e em termos de volume de negócios, as restantes divisões da empresa têm um peso superior e um enorme potencial de crescimento, encontrando-se distribuídas por cinco linhas de negócio: C&T, FVL, OVL, OVS e WRP.

As soluções GEFCO centram-se no transporte de mercadorias – seja por via terrestre, ferroviária, marítima, aérea – , serviços aduaneiros, armazenagem e embalagens reutilizáveis. Passam igualmente pelas soluções como o transporte dedicado e urgente, pelos projectos industriais e eventos. Asseguram ainda a integração logística, tanto industrial como automóvel. 

T&N – Em Portugal esse mix é semelhante?

Jorge PossoloO mix da GEFCO Portugal é semelhante, mas com o segmento automóvel a assumir ainda um peso mais acentuado comparativamente à média do grupo. E a estratégia passa igualmente pela potenciação dos restantes segmentos, dado o potencial de crescimento que pensamos que actualmente existe em Portugal.

T&N – Qual o objectivo futuro (a nível global e de Portugal)?

Jorge PossolloUm dos objectivos futuros é, claramente, fazer com que a GEFCO esteja na posição privilegiada de poder oferecer ao mercado serviços que sejam não somente diferenciadores, mas que se possam tornar “game changers”, isto é, que contribuam para a mudança do “status quo” de um modo positivo, com vantagens evidentes para os nossos clientes, começando obviamente pelos sectores mais fortes e tradicionais dentro da empresa e estendendo-se às restantes áreas de actividade, de modo a poder maximizar o potencial de crescimento do nosso volume de negócios.

T&N – O contexto fiscal em Portugal é favorável para o desenvolvimento das empresas de transportes e logística?

Jorge PossolloO contexto fiscal em Portugal afecta todo o tecido empresarial e o sector de transportes e logística não está fora dessa condicionante, onde assume um peso muito relevante, sobretudo quando comparamos com o que se passa em outras geografias.

Dizer que o ambiente fiscal em Portugal é hostil comparado com o ambiente em Espanha será conservador, tais as diferenças de forma e conteúdo entre os dois países nesse aspecto. Contudo, é com este contexto fiscal que a GEFCO Portugal desenvolve a sua actividade, restando-nos encontrar as melhores soluções para,  no final do exercício, apresentar bons resultados aos nossos accionistas.

 

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