O secretário de Estado da Presidência, Luís Marques Guedes, comparou hoje a possibilidade de uma requisição civil no caso da greve dos portos a uma “bomba atómica” e disse esperar que esta não se coloque.
Em conferência de imprensa, a meio da reunião do Conselho de Ministros, Marques Guedes assinalou a importância dos portos nacionais na actual situação económica do país, apelou ao bom senso de todas as partes envolvidas e afirmou que o Governo espera que se encontrem soluções por via do diálogo.
“Falar-se em requisição civil nesta fase, do meu ponto de vista, é estar a falar de uma bomba atómica que não se coloca e espero que não se venha a colocar, para bem da normalidade do funcionamento dos portos nacionais”, declarou Marques Guedes aos jornalistas.
Segundo o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, “as requisições civis são soluções de última instância apenas”.
Marques Guedes disse esperar que os “direitos que são legítimos das partes envolvidas, nomeadamente dos trabalhadores”, sejam exercidos “sempre cumprindo a lei” e que haja “sensatez e bom senso de todas as partes”.
O secretário de Estado da Presidência referiu que “é através dos portos que grande parte da riqueza das exportações é escoada” e considerou que, “na actual situação dificílima da economia nacional, tem uma relevância acrescida a existência de uma situação de normalidade no funcionamento dos portos nacionais”.
“É nisso que o Governo está empenhado. O Governo tem estado aberto ao diálogo com todas as partes envolvidas para encontrar soluções que vão ao encontro do interesse nacional que está aqui em presença”, acrescentou.
O sindicato dos trabalhadores portuários do Centro e Sul admitiu hoje que a greve nos portos se pode prolongar para lá de Outubro e lamentou que as associações empresariais peçam requisições civis em vez de apelarem “ao consenso e ao diálogo”.
“As organizações poderão sempre dizer aquilo que entenderem. Eu defenderia muito mais que apelassem ao consenso e ao diálogo do que às requisições civis. Sinceramente, não percebo. O porto de Lisboa não está completamente parado, estão a laborar a um turno e há portos a trabalhar na força máxima”, disse à “Lusa” o dirigente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários (Fesmarpor), Vítor Dias.
Afirmando que não percebe “como é que se pode evocar a requisição civil numa situação destas”, Vítor Dias frisou: “se as associações empresariais entendem que é por via da força que estas situações se resolvem, é a opinião deles”.
Vítor Dias garantiu, porém, que os trabalhadores vão manter a luta, nos portos de Lisboa, Setúbal e Figueira da Foz, “enquanto houver capacidade para lutar”.