O Governo vai continuar os esforços para que os motoristas de transporte de matérias perigosas e a ANTRAM se entendam e a greve marcada para dia 23 seja desconvocada.

Fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e da Habitação assegurou à “Lusa” que o “Governo está em contacto” com a ANTRAM e o SNMMP, destacando que o Executivo “continuará os esforços para que as
partes se entendam e a greve seja desconvocada”.

Ontem, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) anunciou uma nova greve, por tempo indeterminado, a partir do próximo dia 23.

“O presidente do sindicato [Francisco São Bento] vai enviar um pré-aviso de greve com efeitos a partir do dia 23 de maio à meia noite e um minuto até que se resolva a situação”, afirmou Pedro Pardal Henriques, vice-presidente da estrutura sindical.

O sindicalista acusou a ANTRAM de mentir e de ter violado “os princípios da boa fé negocial”, depois de a associação dos transportadores ter divulgado que o sindicato aceitara um salário base de 700 euros, contra os 1 200 euros inicialmente pretendidos.

Ontem à noite, a ANTRAM emitiu novo comunicado onde garantiu que referiu que “não teve o intuito de obstaculizar ou prejudicar as negociações que estão a decorrer com este sindicato [SNMMP] num clima de boa-fé negocial”.

A associação acrescentou que não vai comentar mais as negociações. Apenas “voltará a comunicar sobre a proposta que lhe foi apresentada, de forma presencial, aos seus associados, nas reuniões que irão decorrer já na
próxima semana, bem como ao SNMMP [Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas] nas reuniões que vierem a ter lugar posteriormente”, adianta.

O caderno reivindicativo dos motoristas de matérias perigosas inclui, além de uma remuneração base de
1 200 euros, um subsídio de 240 euros e a redução da idade de reforma.

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no passado dia 15 de Abril e que ameaçou parar o país. Durante os três dias de paralisação o sindicato conseguiu mais 200 membros, contando agora mais de 700, num universo de cerca de 900.

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