O Ministério dos Transportes e Comunicações de Taiwan vai reforçar a sua posição no capital da Yang Ming para “bastante mais” dos actuais 33%. O recurso da companhia ao fundo público de 1,9 mil milhões de dólares também é uma hipótese. Mas a Yang Ming insiste na sua viabilidade.

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“A Yang Ming não está em incumprimento de quaisquer obrigações e sugestões contrárias são evidentemente falsas”, indica o comunicado daquela que é a nona maior companhia marítima de transporte de contentores, hoje emitido ao mercado.

No texto, a companhia dá conta do processo de recapitalização, aprovado pelos accionistas a 22 de Dezembro. Foi decidida uma redução do capital, para absorver passivos, seguida de um aumento de capital mediante a entrada de dinheiro fresco de actuais e novos accionistas. Nesta fase, os fundos serão oriundos de várias entidades, privadas, mas também públicas, sendo que o Ministério dos Transportes e Comunicações de Taiwan aumentará a sua posição para “bastante mais do que os actuais 33%”.

Na mesma nota, a Yang Ming garante que não pediu qualquer reestruturação de dívida a qualquer credor. E garante também estar atenta à possibilidade de recorrer ao fundo público de 1,9 mil milhões de dólares (1,77 mil milhões de euros) anunciado pelas autoridades de Taiwan para ajudar à recuperação do sector.

O comunicado ao mercado seguiu-se à divulgação de uma nota da Drewry Financial Research Services, em que considerava que a segunda maior companhia de contentores de Taiwan poderia ser a próxima Hanjin Shipping, companhia sul-coreana que faliu em Agosto de 2016.

Segundo a Drewry, a alavancagem financeira da companhia de Taiwan alcançou 473% no fim do terceiro trimestre do ano passado, acima da média de 124% do sector. A companhia registou um prejuízo de 400 mil dólares (372 675 euros) nos primeiros nove meses de 2016, com uma queda de 17% nas receitas, para 2,6 mil milhões de dólares (2,42 mil milhões de euros). O prejuízo acumulado desde 2009 ascende a 1,2 mil milhões de dólares (1,12 milhões de euros).

A Drewry já considerou positivo o comunicado da Yang Ming, mas salientou que espera “mais actos para rever” a recomendação para as acções da companhia.

De acordo com os dados da Alphaliner, a Yang Ming opera uma frota de 101 navios, com uma capacidade de 579 048 TEU, o que se traduz numa quota global de 2,8%. A companhia é, no presente, membro da aliança CKYE e, a partir de Abril, irá juntar-se à Hapag-Lloyd, K Line, MOL e NYK na THE Alliance.

 

 

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