O Governo alargou de três para quatro as regiões fronteiriças onde se propõe testar o gasóleo profissional, no segundo semestre deste ano, e promete alargar o regime a todo o país em 2017.

Gasóleo

No final de uma reunião com as associações que representam as empresas de transporte de mercadorias (a Antram e a ANTP), ontem à tarde, o ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, anunciou que “foi fechado o acordo sobre quais as fronteiras em que, experimentalmente, se testará este sistema de gasóleo profissional – Quintanilha, Vilar Formoso, Caia e Vila Verde Ficalho – tendo merecido o pleno acordo das associações de transportadores”.

De acordo com o ministro, trata-se de uma medida experimental, até ao final do ano, estimando-se que esta possa ser alargada a todos os postos do país no próximo ano, devendo o Governo entregar uma proposta de lei no Parlamento, nas próximas semanas, com vista a concretizar este regime.

Nessa medida, “foram desenvolvidos trabalhos visando a instauração de um regime de gasóleo profissional aplicável aos transportes de mercadorias através de veículos com uma tonelagem superior a 35 toneladas e iniciou-se a análise de um projecto de propostas de lei, a submeter à Assembleia da República, que visa a criação de um regime de gasóleo profissional a partir do início de 2017”, explicitou Eduardo Cabrita.

Segundo referiu, o objectivo é o de reduzir “a componente fiscal para os profissionais tendo como âmbito de aplicação os veículos com mais de 35 toneladas, tendo o limite mínimo de fiscalidade de 0,33 euros por litro que é estabelecido na directiva comunitária aplicado, isto é, o mínimo de fiscalidade hoje aplicado em Espanha eliminando o diferencial actualmente existente”.

No final do encontro, Pedro Polónio, da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), considerou que “o alargamento de três para quatro [postos fronteiriços] é uma mais-valia, irá permitir abranger não só mais empresas, mas também mais empresas de transportes”.

Já Márcio Lopes, da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP), manifestou-se confiante que será possível alargar estes postos de abastecimento a todo o território no próximo ano, conforme disse o membro do Executivo, mas assinalou que cabe aos empresários decidir se pretendem ter este regime, ou não.

“Eu acredito que vamos conseguir, mas também depende muito dos empresários. Grande parte do apoio vem dos empresários” e são eles que que “têm de mostrar se é aquilo que querem ou não”, disse.

No final do encontro, o ministro indicou ainda que, a par desta medida, os transportadores de mercadorias terão uma redução de portagens nas ex-Scut (autoestradas sem custos para o utilizador), ou seja, haverá “um tratamento diferenciado mais favorável para os transportadores de mercadorias […] a partir do Verão deste ano”.

O Governo e as associações representativas do sector voltam a reunir-se a 27 de Junho.

Antrop na expectativa

Na expectativa mantém-se a a Antrop, a associação que representa os transportadores rodoviários de pesados de passageiros.

Luís Cabaço Martins, o presidente da entidade, tem insistido em que lhe foi garantido que o regime do gasóleo profissional também se aplicará ao transporte de passageiros, mas até ao momento o Governo não se comprometeu publicamente nesse sentido.

A Antrop aguarda a marcação de uma reunião com o ministro Eduardo Cabrita para esclarecer a situação.

A diferenciação positiva do transporte público em sede da fiscalidade dos combustíveis é uma velha reivindicação da Antrop, que tem multiplicado propostas nesse sentido. Até agora sem sucesso.

Os comentários estão encerrados.