Com as greves dos trabalhadores portuários a prolongarem-se por Novembro e cada vez mais pressionado pelas associações empresariais, o Governo vai reunir com representantes das administrações, dos operadores portuários e dos sindicados.

O objectivo primeiro do encontro é redefinir os serviços mínimos a que os trabalhadores estão obrigados na vigência dos períodos de greve. O Executivo entende que as regras actuais, fixadas já em 2004, estão desajustadas da realidade actual da actividade.

Os portos de Lisboa e Setúbal, os mais afectados pelas paralisações, estão a trabalhar a cerca de 50% da sua capacidade, consequência das greves parciais. Do lado das associações empresariais, sucedem-se os anúncios dos prejuízos daí decorrentes, quer para os portos e respectivas comunidades portuárias, quer para os carregadores, sobretudo os exportadores.

A requisição civil dos trabalhadores portuários já foi por diversas vezes aventada, mas o Governo tem-se recusado a aplicá-la.

A redefinição dos serviços mínimos surge assim como uma tentativa de conter os efeitos negativos das greves. Resta saber se os sindicatos estarão receptivos a mudar as regras.

No limite (optimista), o encontro anunciado poderá lançar as bases para uma solução do conflito. Será esta a primeira vez que estivadores, operadores portuários e Governo se centrarão frente a frente desde o início desta vaga de greves, motivada pela decisão do Executivo de mexer no regime jurídico do trabalho portuário.

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