Mantém-se o impasse na greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas. Da reunião de 10 horas saiu apenas o alargamento dos serviços mínimos. O Governo impôs o racionamento.

A ANTRAM insiste em que só negociará com o SNMMP após o termo da greve dos motoristas. Que se mantém por tempo indeterminado.

“As matérias que estão a ser exigidas no caderno reivindicativo, essa matéria será discutida após o levantamento da greve e logo imediatamente após o levantamento da greve”, afirmou Gustavo Paulo Duarte.

O presidente da ANTRAM falava aos jornalistas após uma reunião de 10 horas que começou na quarta-feira e se prolongou pela madrugada, no Ministério do Trabalho, em Lisboa, com o SNMMP.

“O que nos trouxe hoje aqui foi essencialmente reparar, esclarecer e ampliar aquilo que estava definido desde o fim de semana passado, que era a fixação dos serviços mínimos”, declarou Gustavo Paulo Duarte, lembrando os apelos de quarta-feira do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, no sentido de aqueles serem ampliados.

O dirigente da ANTRAM destacou que a ampliação dos serviços mínimos foi conseguida enquanto durar a greve, assinalando que “irá haver um maior abastecimento de combustível às populações”, pois conseguiu-se “alcançar um acordo de 40% dos serviços habituais para a generalidade de todo o território nacional”.

“Além disso, [conseguimos] uma série de outras operações que não estavam contempladas e são deveras importantes”, adiantou, exemplificando com o transporte de medicamentos urgentes, dos resíduos urbanos e hospitalares, e da alimentação para animais.

Segundo o presidente da ANTRAM, “o próprio abastecimento das empresas de transporte, que foi permitido em 50% das empresas de transporte público, também o abastecimento às empresas de transporte de passageiros, quer fluviais quer rodoviários, foram acautelados”.

Questionado quem terá de ceder primeiro, Gustavo Paulo Duarte respondeu: “Não é uma questão de cedência, é uma questão de timings”.

Sobre o sindicato que representa os motoristas de transporte de matérias perigosas, o presidente da ANTRAM disse que este foi constituído “há menos de quatro meses” e que “a primeira comunicação” que teve com o SNMMP foi o pré-aviso de greve.

Governo vai intermediar negociações

Pedro Henriques, do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosos (SNMMP), por seu turno, anunciou que as partes vão voltar a reunir-se esta quinta-feira.

No final de 10 horas de reunião, o vice-presidente do sindicato, disse que “foram dados passos muito importantes” e salientou que os serviços mínimos foram ampliados, “para servir as populações de todo o país, garantindo os 40% de combustível de norte a sul”.

Depois, acrescentou, o Governo comprometeu-se a iniciar com o sindicato um diálogo para “a resolução dos problemas” dos trabalhadores, estando já marcada para hoje [quinta-feira], às 11h30, uma nova reunião entre sindicato e representantes do Governo, no Ministério do Trabalho.

Na reunião “serão apresentadas as reivindicações” dos trabalhadores, tendo o executivo prometido que iria fazer a mediação entre o sindicado e a ANTRAM, afirmou Pedro Henriques, convicto de se chegará “a bom porto”.

Nas palavras do sindicalista, a abertura do Governo “é um primeiro passo para o fim da greve”, mas para já a paralisação mantém-se, com os serviços mínimos a serem garantidos em primeiro lugar por trabalhadores que não aderiram à greve e, só depois, em caso de necessidade, pelos que estão em greve.

Governo impõe racionamento

Entretanto, para tentar minorar os impactos da greve, o Governo definiu uma Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA), que compreende 310 instalações em todo o país, que ficam “obrigados a reservar, para uso exclusivo das entidades prioritárias, uma quantidade de 10 mil litros de gasóleo, ou 20% da sua capacidade, quatro mil litros de gasolina e dois mil litros de GPL-auto”.

O Executivo decidiu também que nesses postos os abastecimentos do público estarão limitados a 15 litros por operação.

A REPA estende-se a todo o pais, mas a maioria concentra-se, ainda, nas regiões da Grande Lisboa e do Grande Porto.

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