A greve dos estivadores de Lisboa, que começa esta quarta-feira, deverá ser prolongada e agravada. A proposta do SEAL será votada em plenário sexta-feira.

A reunião de hoje entre a A-ETPL e o SEAL, a pedido da empresa de trabalho portuário, para tentar evitar mais uma greve no porto de Lisboa, teve, afinal, o efeito contrário e voltado a extremar posições. Em comunicado, o sindicato de estivadores fala numa “situação aviltante” e anuncia para a próxima sexta-feira uma proposta de “extensão e agravamento da greve”.

Em causa estão as propostas apresentadas pela A-ETPL na reunião e declarações públicas do presidente da empresa de trabalho portuário, Diogo Marecos.

Na reunião, segundo o SEAL, os responsáveis das empresas de operação portuária terão recusado o pagamento atempado dos salários, a actualização salarial acordada em 2018 e a actualização do tarifário da A-ETPL. “Cereja em cima do bolo, avançaram com a proposta inqualificável, a todos os níveis, de “promoverem” a eventuais/precários/trabalhadores ao turno os 34 estivadores que, desde 2016, passaram a contrato sem termo”, sublinha o sindicato.

Do lado do sindicato, haveria abertura para “acordar e propor aos sócios a entrada num processo negocial que decorreria até ao final do primeiro semestre, durante o qual tentaríamos encontrar formas de ajudar a atingir o equilíbrio financeiro da AETPL, e o reconhecimento da actualização salarial assinada em 2018, ainda que a sua regularização pudesse ser calendarizada de acordo com a respectiva negociação”.

A acrescer ao fracasso da reunião, sustenta o comunicado, estiveram as  “declarações inacreditáveis do Presidente da AETPL a um órgão de comunicação social, recuperando a intoxicação da opinião pública com a história dos 5 000 euros que, na sua fantasia, ganham os estivadores”.

Resultado: o porto de Lisboa volta a estar sob os efeitos de uma greve de estivadores, para já parcial mas que, tudo o indica, deverá agravar-se a partir de sexta-feira.

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