Os operadores portuários queriam o fim da greve ao trabalho suplementar; o SEAL recusou. Apesar do quase acordo sobre os precários, Setúbal continuará parado.

Operadores e sindicato não se entenderam sobre o fim da greve ao trabalho suplementar

Esteve quase tudo acertado para pôr termo à paralisação dos trabalhadores precários no porto de Setúbal. Patrões e sindicato acordaram a contratação de 56 trabalhadores para os quadros das empresas (ainda que subsistissem divergências sobre os dez entretanto contratados pela Operestiva deveriam contar para aquele negócios). Cona mo terá havido um princípio de acordo sobre as cláusulas de natureza pecuniária (com o salário inicial a rondar os 1 400 euros).

Mas no final tudo ficou sem efeito. Os operadores portuários insistiram em que terminasse também, em Setúbal, a greve ao trabalho suplementar convocada pelo SEAL em solidariedade com trabalhadores dos portos de Leixões e Caniçal. O sindicato recusou, tentando separar as águas e insistindo nas razões do protesto de solidariedade. (Na conferência de imprensa, o presidente do SEAL falou numa proposta de suspender a greve em Setúbal por 15 dias, contra o compromisso de acabar com as “perseguições” nos outros portos, mas essa proposta não terá sido formalizada.)

Recorde-se que a greve ao trabalho suplementar foi convocada pelo SEAL já em 13 de Agosto e deverá estender-se até 1 de Janeiro. A paralisação dos trabalhadores precários de Setúbal iniciou-se no passado dia 5 do corrente. E só há poucos dias o porto sadino ficou paralisado a 100% na sequência da operação de carregamento de um navio para a Autoeuropa, com recurso a estivadores externos ao porto.

Ministra culpa sindicato

A ministra do Mar, que se envolveu pessoalmente nas negociações, não poupou nas palavras na hora de apontar o dedo aos responsáveis pelo fracasso das negociações.

Para Ana Paula Vitorino, “não havia razão nenhuma para que os trabalhadores não tivessem a sua situação regularizada já hoje e pudessem passar um Natal mais descansado. Mas isso não foi possível. E não foi possível porque os seus representantes em vez de discutirem a situação dos seus trabalhadores de Setúbal preferiram discutir a situação nos portos de Leixões e Sines. Em vez de resolverem o conflito de Setúbal insistem em criar conflitos em portos onde não existem conflitos e onde não têm uma representação significativa”.

“Para que fique claro, o Governo não pode, nem vai tomar parte numa guerra entre sindicatos. E lamentamos que os trabalhadores de Setúbal estejam a ser utilizados pelos seus representantes como moeda de troca para uma luta de poder sindical”, reforçou a governante.

Operestiva avalia viabilidade

“O único obstáculo à conclusão de um acordo foi a intransigência dos  representantes sindicais quanto ao porto de Leixões e de Sines. Estas são circunstâncias às quais a Operestiva e o Porto de Setúbal são totalmente alheios. E que prejudicam gravemente todos os trabalhadores do Porto de Setúbal”, acusou, por seu turno, em comunicado, a Operestiva.

A empresa do grupo Yilport, onde começou a paralisação dos precários, prevê que “já na próxima semana o Porto de Setúbal deverá ter uma quebra de 70% na carga movimentada”.

E anuncia que “nestas circunstâncias, a Operestiva vai proceder a uma avaliação da viabilidade económica da empresa”. Na certeza, diz, de que “estão salvaguardados todos os direitos dos seus trabalhadores”.

 

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