Falhadas as negociações com o governo, os estivadores espanhóis mantêm as greves para os próximos dias 20, 22 e 24 contra a reforma da legislação do trabalho portuário. Cada dia de paragem pode custar 50 milhões de euros, denuncia a PIPE. Mas também há empresários a criticar o Executivo de Madrid.

MSC Valencia

O governo espanhol vai mesmo avançar com a nova lei do trabalho portuário, no Conselho de Ministros da próxima sexta-feira. E os sindicatos dos estivadores vão mesmo para a greve, para já apenas por três dias e apenas a meio tempo (em horas intercaladas).

No entretanto, os efeitos da pré-greve já se fazem sentir, com a produtividade a cair a pique na maioria dos portos vizinhos, originando atrasos consideráveis na movimentação das cargas. A situação só poderá piorar com a greve, até porque  os seus efeitos práticos irão muito para além dos tempos de paragem efectiva.

A Plataforma de Investidores nos Portos Espanhóis (PIPE), que agrupa as principais empresas concessionárias, e que está abertamente ao lado do governo neste processo, alertou para os impactos da paralisação dos estivadores na economia espanhola.

Citando estudos de entidades independentes, a PIPE mantém que cada dia de paragem dos portos poderá custar 50 milhões de euros. Os portos, sublinha, movimentam anualmente mercadorias no valor de cerca de 200 mil milhões de euros, ou 20% do PIB do país vizinho, e por eles passam 57% das exportações e 78% das importações.

Serviços mínimos a 100%

Com o anúncio da greve em horas alternadas, em teoria abrangendo apenas metade da jornada normal de trabalho, os sindicatos dos estivadores trataram de por-se a salvo da fixação de serviços mínimos. Sem sucesso.

O Ministério do Fomento fixou serviços mínimos de 100% para as operações envolvendo cargas perecíveis ou perigosas; 100% para as cargas destinadas ao abastecimento das ilhas, Ceuta e Melila; 100% para os ro-pax, de modo a não prejudicar o fluxo de passageiros; e um rendimento global nunca inferior a 50% do período homólogo anterior.

Boluda critica governo

Em Algeciras como em Barcelona, operadores portuários e sindicatos dispõem-se a negociar um acordo diferente da legislação proposta pelo governo. Os críticos destes entendimentos falam em chantagem dos estivadores.

Mas a postura do Executivo de Mariano Rajoy está longe de agradar sequer a todos os empresários. Vicente Boluda, líder da companhia que ostenta o seu nome e presidente da Associação Valenciana de Empresários, não poupou nas críticas acusando o governo de ter estado “anos sem fazer nada”. E agora, reforçou, “o que não se pode é, da noite para o dia, assustar e lançar bombas de um bombardeiro e ficarem todos felizes”.

O empresário criticou o facto de a proposta governamental nunca ter sido discutida nós últimos dois anos, e garantiu que tanto as empresas como os estivadores “têm toda a vontade do mundo” em chegarem a um acordo.

 

 

 

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