Falhada a renegociação do Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) no porto de Lisboa, os estivadores anunciam o regresso à greve no próximo dia 14 e logo por um período de dez dias.

Porto de Lisboa

O pré-aviso de greve foi hoje publicitado pelo Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro  e Sul de Portugal, o mesmo que manteve um braço de ferro de longos meses contra a revisão do estatuto do trabalho portuário, que acabou aprovada no decurso da anterior legislatura.

A escolha do 14 de Novembro para o arranque da paralisação não é, de resto, fruto do acaso. Precisamente nesse dia, fracassado o processo negocial do novo CCT, passará a aplicar-se integralmente a nova legislação, muito mais penalizadora dos trabalhadores portuários na óptica do sindicato.

E assim terminará o clima de paz social que vigorou praticamente nos últimos dois anos, em especial no porto de Lisboa. Um clima que mais tinha de paz podre, houve quem avisasse desde o início, porque se esperava que os representantes dos trabalhadores tentassem negociar, em sede do CCT, cláusulas menos pesadas do que as fixadas na nova legislação.

O processo negocial foi denunciado pelos representantes dos operadores portuários de Lisboa em Outubro, poucos dias antes do anúncio do negócio entre a Mota-Engil e o grupo Yildirim para a venda da Tertir (que controla os terminais de contentores da Liscont e da Sotagus na capital). O sindicato logo sublinhou a coincidência temporal e hoje volta a falar em “negociatas”.

A greve de dez dias agora convocada abrange os trabalhadores portuários de Lisboa,  Setúbal,e Figueira da Foz. Mas deverá ter particular incidência no porto da capital.

A paralisação acontece num momento em que o porto liderado por Marina Ferreira está a crescer na movimentação de contentores (o segmento tradicionalmente mais afectado pelas paralisações) mas continua longe dos seus melhores anos.

É ainda a factura dos longos meses de paralisações a fazer-se sentir. Sem esquecer que companhias houve (foi o caso da MacAndrews) que pura e simplesmente abandonaram as operações em Lisboa.

 

NOTÍCIA CORRIGIDA: O pré-aviso de greve não afecta o porto de Aveiro. 

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