O Grupo HNA, ex-accionista da TAP, estará a negociar a transferência dos activos para as autoridades chinesas e as principais companhias aéreas do país.

O surto de coronavírus poderá muito bem representar a “machadada” final para o Grupo HNA, que há anos se debate com dificuldades depois de um “rally” de compras à escala mundial, nomeadamente na área dos transportes e logística.

A Agency Partners, especialista em relatórios de investimento sediada em Londres, indica, num relatório da Bloomberg, que “a HNA é, mesmo para os padrões chineses, um grupo disperso e endividado e o colapso da actividade aérea chinesa devido ao surto de Covid-19 [coronavírus] aparentemente levou à falência efectiva”.

Na verdade, o Grupo HNA tem estado, nas últimas semanas, sob crescente tensão financeira devido ao surto do coronavírus, que baixou de forma dramática a procura de passageiros e de mercadorias e forçou a companhia a cancelar milhares de voos.

Os executivos do grupo estarão, de acordo com os analistas internacionais, em negociações avançadas com o governo da província de Hainan (onde o grupo foi fundado), que estará a tentar assumir o controlo do conglomerado em apuros. Após a iminente íntegração, os activos da HNA serão, segundo adiantaram fontes locais, integrados nas três maiores companhias aéreas daquele país asiático: Air China, China Southern Airlines e China Eastern Airlines.

O acordo sobre activos poderá, também, incluir os activos europeus do periclitante grupo chinês, onde se destacam a Swissport e o aeroporto alemão de Frankfurt-Hahn.

Onda de aquisições… e dívidas

As necessidades financeiras da HNA são tudo menos novas. O grupo está, há anos, a braços com uma dívida que chegou a atingir perto de 600 mil milhões de yuans (78,6 mil milhões de euros), com os elevados custos daí decorrentes.

O relativamente pequeno operador aéreo ganhou destaque entre 2016 e 2017, após uma onda de aquisições alimentada por alavancagem bancária, tornando-se temporariamente o principal accionista de empresas icónicas como a Hilton Worldwide Holdings e o Deutsche Bank, enquanto pagava uma fortuna por propriedades de Manhattan a Hong Kong.

A sua voracidade passou também pela compra de activos na área dos transportes e logística, destacando-se, na Europa, os mencionados Swissport e Frankfurt-Hahn.

Desde 2018, porém, que o grupo chinês enfrenta “ventos contrários” de bancos e credores, pelo que começou a desfazer-se de aquisições de 50 mil milhões de dólares (46 mil milhões de euros) vendendo os principais activos imobiliários.

Embora a dívida total tenha caído para 525,6 mil milhões de yuans (69 mil milhões de euros), o presidente do conselho de administração da HNA, Chen Feng, fechou 2019 prevendo que 2020 seria “o ano decisivo para vencer a guerra” contra os desafios de liquidez de longo prazo do grupo. Para já, o prognóstico não é muito positivo.

 

Tags:

Comments are closed.