O presidente executivo do grupo Yildirim, multinacional turca que controla a Liscont, concessionária do terminal de contentores de Alcântara, disse hoje estar disponível para investir nesta infraestrutura mas precisar de garantias de estabilidade.

Porto de Lisboa

“Neste momento estamos em discussão para um novo programa de investimento. Houve algumas perturbações com o anterior programa, mas acreditamos neste porto e, por isso, queremos investir”, disse Christian Blauert à “Lusa”, à margem do debate internacional sobre “Soluções Inovadoras na Relação Porto-Cidade”, que decorreu na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa.

Segundo o também presidente da administração da Liscont, o factor principal para o investimento é a “estabilidade” no porto, lembrando as greves dos estivadores e o impacto que tiveram, nomeadamente na suspensão de escala de grandes armadores, como a Maersk Line e a Hapag-Lloyd.

“É um bom porto para investir, tem uma boa localização, Lisboa também é uma boa cidade. Estamos interessados, vemos potencial. Fizemos estudos e estamos seguros que queremos investir, mas há que ter garantias, pois os grandes armadores não vêm se tiverem no horizonte greves”, sublinhou.

O grupo Yildirim, através da Yilport, controla a Liscont na sequência da compra da Tertir à Mota-Engil.

Aquando do anterior Governo PS, a Liscont negociou e obteve uma prorrogação da concessão do terminal de contentores de Alcântara como contrapartida a um investimento no aumento significativo da capacidade daquela infra-estrutura. O processo gerou forte polémica e, na prática,a expansão não chegou a ser implementada para além da demolição de algumas construções.

O movimento de mercadorias no porto de Lisboa, particularmente contentores, foi afectado pelo clima de conflito laboral, que originou mais de 30 pré-avisos de greve por parte dos estivadores desde 2012.

No final de Junho último foi alcançado um acordo entre os operadores do porto de Lisboa e o sindicato dos estivadores, com a assinatura do contrato colectivo de trabalho que vai vigorar nos próximos seis anos.

No final de Julho, o porto da capital acumulava uma perda de 34% na movimentação de contentores, com 190 774 TEU. Isto depois de nesse mês ter caído 16%.

 

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