Hamburgo, Los Angeles e Singapura são os portos “escolhidos” pelas autoridades sul-coreanas para ali concentrarem a movimentação das cargas a bordo dos navios da Hanjin Shipping, impedidos que estão a ser de atracar em cada vez mais portos, por causa das dívidas acumuladas.

Hanjin-Shipping

 

Dos 97 navios porta-contentores que compõem a frota da Hanjin, apenas 36 estarão a operar normalmente. Dos restantes 61, 47 estarão em alto mar e 13 estarão arrestados, impedidos de carregar ou descarregar mercadorias.

Exemplo das dificuldades sentidas: o Hanjin Switzarlanda, que preparava para entrar no Suez em viagem para Nova Iorque, teve de retornar ao Mar Vermelho por não haver quem pagasse as taxas de passagem no canal egipcio.

Desde a passada sexta-feira que uma “task force” sul-coreana, envolvendo as autoridades, está a lidar com a situação criada com o anúncio da bancarrota da Hanjin, tentando minimizar os seus impactes, desde logo para a economia do país.

De algum modo, Seul terá garantido que os navios da Hanjin não serão impedidos de atracar, nem arrestados com as mercadorias, nos portos de Hamburgo, Los Angeles e Somgapura. Mas subsiste a questão de pagar as taxas devidas pela operação, o que deverá ser assegurado pelo Grupo Hanjin, como sublinhou o vice-ministro das financeiras sul-coreano.

A holding anunciou a injecção imediata do equivalente a 90 milhões de dólares na Hanjin Shipping para fazer face a despesas urgentes. Quase metade desse montante terá saído do bolso do próprio presidente do grupo. O governo de Seul poderá disponibilizar outros 90 milhões de dólares mas ainda não é certo.

Ainda, estar-se-á a falar numa gota no oceano das dívidas da Hanjin. E as últimas estimativas falam em 540 mil contentores retidos no mar.

Carregadores exigem desbloqueio dos contentores

O Conselho Europeu de Carregadores Europeus (ESC, na sigla em inglês) pretende que os terminais que tenham contentores da Hanjin Shipping bloqueados os entreguem aos destinatários. “Os contentores parados estão a bloquear a circulação global de mercadorias”, salienta a entidade.

O ESC sublinha que esta posição está concertada com a GSA – Global Shipper’s Alliance, entidade criada em Março de 2015 e que reúne a ASA (Associação de Carregadores da Ásia) e a AAEI (Associação Americana dos Exportadores e Importadores), além do próprio ESC.

Carregadores de vários pontos do mundo têm milhares de contentores bloqueados em trânsito porque os credores apreenderam os navios da Hanjin.

“É evidente que os operadores de terminais devem libertar as mercadorias e permitir a sua entrega para evitar a ruptura da cadeia logística”, afirma, citado pela assessoria de imprensa, o responsável pela política marítima do ESC, Fabien Becquelin.

 

 

 

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