Vinte anos e muitas greves depois, o Mediterranean Canada Service (MCA) da Hapag-Lloyd muda-se se Lisboa para Leixões. A primeira escala a Norte acontecerá amanhã, terça-feira.

Hapag-Lloyd

É a primeira baixa importante para 0 porto de Lisboa, em plena greve dos trabalhadores portuários. O Mediterranean Canada Service da Hapag-Lloyd, que desde 1995 escalava a capital, passará a operar a partir de Leixões.

A mudança foi comunicada ao mercado na semana passada. Quanto a saber se é definitiva,  “dada a indefinição no porto de Lisboa, não estamos em condições de comentar qual o porto que manteremos”, afirmou o director de vendas da companhia ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS. “Em bom rigor, a Hapag-LLoyd manterá certamente a escala no porto que nos garanta a maior operacionalidade e nos ofereça competitividade no mercado”, acrescentou, em jeito de aviso, Fernando Franco.

Fontes conhecedoras do mercado alvitram que a transferência do MCA de Lisboa para Leixões já estaria a ser pensada pela Hapag-Lloyd, quer por causa da “concorrência” do serviço similar que a MSC disponibiliza em Sines, quer porque já hoje boa parte da carga nele movimentada será oriunda do Norte. A instabilidade no porto da capital terá apenas ajudado à decisão.

Perde Lisboa; ganha Leixões. E amanhã, os responsáveis da APDL e da TCL, concessionária do terminal de contentores, lá estarão na ponte do Stadt Dresden para cumprimentar o comandante do navio e obsequiá-lo com a tradicional placa evocativa.

Com o novo serviço, o porto nortenho passa a dispor de mais uma ligação directa, à exportação, para o importante mercado da América do Norte.

O MCA é um serviço semanal, operado por cinco navios com uma capacidade média de 2 200 TEU e 240 ligações de frio. E um serviço directo entre Portugal e o Canadá, com um tempo de trânsito de “apenas nove dias, excelente para o transporte de carga contentorizada, especialmente cargas sensíveis e produtos perecíveis”, sublinha Fernando Franco. A partir de Montreal, “as cargas podem ser encaminhadas, por ferrovia, para o interior do Canadá, ou por cabotagem para os principais destinos da costa atlântica dos EUA”, acrescenta.

Temporária ou não, esta mudança da Hapag-LLoyd constitui mais um revés para a recuperação do porto de Lisboa. E pode motivar outros operadores a seguirem-lhe o caminho, dependendo de como evoluir a situação da greve dos trabalhadores portuários.

Recorde-se que aquando do anterior período de greves dos estivadores, a MacAndrews optou por transferir toda a sua actividade em Lisboa para Setúbal, com carácter permanente.

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  1. E um grande perca para porto de lisboa