A Hapag-Lloyd vai deixar de escalar Leixões porque os seus novos navios não cabem no porto nortenho. O MCA, que saiu de Lisboa por causa da greve dos estivadores, irá agora para Vigo. A comunidade portuária desespera pelo anúncio do novo terminal de -14 metros.

Hapag-Lloyd

A partir do próximo dia 24, o Mediterranean Canada Service (MCA) da Hapag-LLoyd passará a ter no porto de Vigo a última escala europeia. Desde o início do ano que o serviço da companhia alemã escalava Leixões, afastado que foi de Lisboa pela greve dos trabalhadores portuários. Na altura, o porto nortenho ganhou assim o seu primeiro serviço directo para a Costa Leste da América do Norte.

Agora, o que é que mudou? O que mudou foi a dimensão dos navios, disseram ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS fontes conhecedoras do processo. A Hapag-Lloyd decidiu aumentar a dimensão/capacidade dos navios alinhados no MCA e, com isso, vieram ao de cima as conhecidas limitações de Leixões.

Por causa do vão da ponte móvel, dos fundos existentes e da estreiteza do plano de água, o Terminal de Contentores Sul, o mais importante do porto nortenho, só pode ser demandado por navios com 225 metros de comprimento e 32,5 metros de boca. Navios com uma capacidade máxima de 3 500-4 000 TEU.

Os navios que a Hapag-LLoyd pretende alinhar no MCA excederão, nuns casos os 240 metros de comprimento, noutros chegarão aos 37 metros de largura.

Recorde-se, aliás, que na mesma altura em que o MCA se mudou de Lisboa, o MPS, outro serviço da Hapag-LLoyd que escalava Lisboa, passou a escalar um porto espanhol porque os navios não conseguiam entrar em Leixões.

Solução de recurso evitou saída da NileDutch

O caso da Hapag-LLoyd não é, de resto, único na história recente de Leixões. A NileDutch, que ali opera um serviço para Angola, chegou a suspender as escalas porque os seus novos navios não cabiam no interior do porto.

O serviço foi entretanto retomado, numa parceria entre a NileDutch e a CMA CGM, e com os tais navios de maiores dimensões. Como? Numa conjugação de esforços e boas vontades da APDL, TCL e armadores, os navios passaram a ser operados no Terminal de Contentores Norte, onde as limitações de comprimento e largura não se aplicam.

Não se aplicam essas mas as limitações de calado são ainda maiores. A solução, de recurso, só foi, então, possível, disseram ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, porque os armadores aceitaram escalar Leixões com os navios menos carregados.

Esta será mesmo uma solução de recurso, quer para os armadores, quer para a concessionária do terminal de contentores, até porque o terminal Norte oferece dificuldades operacionais acrescidas.

Ainda assim, poderia esta solução ser tentada no caso do serviço da Hapag-Lloyd? Não, por ser Leixões a última escala europeia, não havendo outro porto onde ir carregar antes de cruzar o Atlântico Norte.

Terminal de -14 metros faz (des)esperar

No imediato, não haverá outros armadores na iminência de aumentar a capacidade dos navios que escalam Leixões. Mas “são vários os que nos têm sondado sobre essa possibilidade”, referiu ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS uma fonte da concessionária TCL.

Este estrangulamento do porto só será resolvido com a construção do novo terminal de contentores, com fundos de -14 metros, a localizar junto ao Molhe Sul, logo, sem limitações nas acessibilidades marítimas.

A prioridade da obra é consensual mas tarda em ser lançada. O tema, ao que o TRANSPORTES & NEGÓCIOS sabe, terá sido abordado numa recente reunião de trabalho da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, em Leixões, mas do encontro ainda não saiu o “fumo branco” tão desejado – e reclamado – pela comunidade portuária.

 

 

 

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