A saída do Reino Unido da UE sem acordo (Hard Brexit) poderá reduzir para até 40% o tráfego de mercadorias na Mancha, antecipa o governo britânico.

No pior dos cenários razoáveis previsto num relatório secreto sobre as consequências do Hard Brexit que o Executivo de Londres foi obrigado a divulgar, é dito que a troca de mercadorias via Mancha baixaria para 40% do actual e os congestionamentos nos portos manter-se-iam por “até seis meses” depois de 31 de Outubro.

Até 85% dos camiões ficarão retidos nas alfândegas nos primeiros dias de crise, é também previsto.

Em consequência, o abastecimento e distribuição de medicamentos e dispositivos médicos ficará comprometido, reconhece-se.

Em termos de alimentares, não está prevista a falta de bens, mas sim uma menor variedade disponível. O documento alerta ainda para o risco de subida de preços, dos alimentos mas também dos combustíveis.

Neste cenário mais grave, o governo britânico antecipa “protestos e contraprotestos em todo o Reino Unido”, os quais absorverão “uma importante quantidade dos recursos policiais”.

O documento aconselha, por isso, o governo liderado por Boris Johnson a negociar com Bruxelas um acordo para a saída do Reino Unido da UE. De resto, o Parlamento britânico aprovou uma lei para forçar um pedido de prolongamento do prazo do Brexit caso não seja negociado um acordo até 19 de Outubro. O primeiro-ministro britânico mantém, porém, que não pretende solicitar essa extensão.

 

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