À medida que o ano de 2018 caminhou para o fim, o mercado mundial de carga aérea foi perdendo força. Em Novembro estagnou mesmo (0%), após 31 meses de crescimento homólogo, assinala a IATA.

Para piorar o cenário, a oferta de capacidade cresceu 4,3% face a Novembro de 2017. Foi, segundo a IATA, o nono mês consecutivo em que a subida da oferta foi superior à da procura de carga aérea.

Explicam desde a IATA que, apesar do crescimento do comércio electrónico internacional, há ventos contrários a afectar a carga aérea. São estes os sinais de enfraquecimento na actividade económica global, a queda das exportações nos principais países exportadores (excepto EUA), os prazos de entrega mais alargados na Europa e na Ásia (o que torna o transporte aéreo menos necessário) e a redução da confiança dos consumidores face ao patamar elevado do início de 2018.

“Normalmente, o quarto trimestre é uma temporada alta para a carga aérea. Portanto, o crescimento nulo em Novembro é uma grande decepção. Embora a nossa perspectiva seja de um crescimento de 3,7% na procura em 2019, os riscos de queda estão a aumentar. As tensões comerciais são motivo de grande preocupação. Precisamos que os governos se concentrem em viabilizar o crescimento através do comércio, não barricando as suas fronteiras por meio de tarifas punitivas”, afirma, citado em comunicado, Alexandre de Juniac, CEO da IATA.

Comportamentos regionais distintos

Em Novembro. América do Norte, Médio Oriente e América Latina melhoraram o desempenho face ao mesmo mês de 2017, enquanto Ásia-Pacífico, Europa e África pioraram.

A América do Norte registou, durante o 11.º mês do ano transacto, uma subida de 3,1% na procura e de 6,3% na capacidade. No Médio Oriente, a procura aumentou 1,7%, menos do que os 7,8% da capacidade. Na América Latina, os volumes de carga aumentaram 3,1% e a capacidade 2%.

O mercado da Ásia-Pacífico experimentou uma queda de 2,3% na procura, com uma subida de 3,1% na capacidade de carga. Na Europa, a carga aérea registou uma descida de 0,2% nos volumes, com uma subida de 3,1% na capacidade. Quanto a África, a procura caiu 7,8% em Novembro de 2018 e a capacidade caiu 7,4%.

Crescimento acumulado de 3,9%

No acumulado dos 11 meses de 2018, o mercado mundial de carga aérea ainda cresce 3,9% em termos homólogos, puxado pela América do Norte, que avança 7,2% em toneladas voadas.

Olhando para as outras regiões, a América Latina cresce 6,3%, o Médio Oriente 4,1%, a Europa 3,3% e a Ásia-Pacífico (o maior mercado regional de carga aérea) 2,3%. Em contraponto, África (o mercado mais pequeno) recua 1,2%.

Entre Janeiro e Novembro, a oferta de capacidade cresceu 5,5%, o que fez baixar a taxa de ocupação dos aviões em 0,7 p.p. para a casa dos 49,1%.

 

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