O mercado mundial de carga aérea decresceu 3,9% em Agosto, de acordo com os dados da IATA. A guerra comercial EUA-China já está a ter efeitos no sector.

Agosto foi o décimo mês consecutivo de descida na procura de carga aérea, na série mais prolongada desde a crise global de 2008.

Ao invés, a capacidade disponível cresceu 2% em Agosto, naquele que foi o 16.º mês em que o aumento da oferta superou o da procura.

O sector continua a sofrer com o fraco comércio global (-1%) e as crescentes tensões comerciais entre os EUA e a China. O Índice Global de Gerentes de Compras (PMI) não deixa prever uma inversão da tendência. As novas encomendas de exportação de produtos manufacturados estão em queda desde Setembro de 2018. Além disso, pelo segundo mês consecutivo, todos os principais países comerciais registaram quedas nas encomendas.

“O impacto da guerra comercial EUA-China nos volumes de carga aérea foi o mais claro de sempre em Agosto. A procura caiu 3,9% face há um ano. Desde a crise financeira global em 2008, a procura nunca havia caído por dez meses consecutivos. Isso é profundamente preocupante. E sem sinais de desanuviamento no comércio, podemos esperar que o difícil ambiente de negócios para a carga aérea continue. O comércio gera prosperidade. As guerras comerciais não. Isso é algo que os governos não devem esquecer”, defende, citado em comunicado, Alexandre de Juniac, director-geral e CEO da IATA.

Só África cresceu

As companhias aéreas da Ásia-Pacífico sofreram quedas de 5% na procura, com a oferta a crescer 2,3%. Na América do Norte, a procura caiu 2,4% e a procura aumentou 1,3%. Já na Europa a procura decresceu 3,3% e a procura aumentou os mesmos 3,3%.

O Médio Oriente registou uma descida de 6,7% na procura e uma subida de 0,8% na oferta. Na América Latina a procura estagnou (+0,1%) e a capacidade subiu 2,7%.

África foi a única região com aumento de procura (+8%) em Agosto. O pior é que a oferta incrementou 17,1%.

 

 

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