A IATA reviu em alta as previsões para o sector em 2017 e perspectiva agora que as companhias aéreas registem lucros de 31,4 mil milhões de dólares (27,9 mil milhões de euros), mais 5,3% do que os 29,8 mil milhões (26,4 milhões de euros) do anterior outlook. Mas nem tudo são boas notícias.

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Também sobre a facturação a IATA reviu em alta a previsão, mas aqui a subida fica-se por 0,9% – é agora de 743 mil milhões de dólares (660 mil milhões de euros), contra 736 mil milhões de dólares (quase 654 mil milhões de euros) antes.

O lucro global de 31,4 mil milhões de dólares permitirá uma margem de lucro de 4,2%, valor ainda assim inferior aos 4,9% registados em 2016, ano em que os lucros da indústria foram de 34,8 mil milhões de dólares (38 mil milhões de euros).

A IATA indica que a revisão em alta foi realizada em resposta à procura, que foi maior do que o esperado. A entidade prevê que a procura de passageiros vai aumentar em 7,4% ao longo do ano, 2,3 pontos percentuais a mais do que o indicado antes. A confirmar-se essa subida, o crescimento da procura será igual ao registado em 2016.

“Pouca margem de manobra”

O director-geral e CEO da IATA, não entra em euforias e avisa que o sector tem pouca margem de manobra.

“Este será mais um ano de desempenho sólido para a indústria do transporte aéreo. A procura, tanto de carga como de passageiros, está mais forte do que esperado. Embora a facturação esteja a aumentar, os ganhos estão a ser espremidos pelo aumento dos combustíveis, mão-de-obra e despesas de manutenção. As companhias aéreas ainda estão no ‘verde’ e a apresentar ganhos acima dos custos de capital. Porém, comparando com o ano passado, existe uma queda na rentabilidade”, avisa Alexandre de Juniac, citado em comunicado.

Em 2017, a previsão é de as companhias obterem um lucro líquido de 7,69 dólares (6,82 euros) por passageiro transportado, contra os 9,13 dólares (8,1 euros) de 2016 e os 10,08 (9,6 euros) de 2015.

“Pelo terceiro ano consecutivo, prevemos lucros maiores que o custo do capital. Mas, com os ganhos de 7,69 dólares por passageiro, não há muita margem de manobra. Por isso, as companhias aéreas precisam de estar atentas aos aumentos dos custos, incluindo impostos, mão-de-obra e infra-estruturas”, disse Juniac.

Aumento dos custos

Os custos totais da indústria irão aumentar em 2017. De acordo com as previsões da IATA haverá um aumento de 44 mil milhões de dólares (39 mil milhões de euros), para 687 mil milhões de dólares (610 mil milhões de euros).

A rentabilidade anual cairá, desse modo, para o nível de 2016, como resultado dos custos do trabalho, manutenção e combustível, um montante que representa 18,8% do total das despesas no sector e que ficará um pouco abaixo dos números do ano anterior, com 129 mil milhões de dólares (114,6 mil milhões de euros).

Neste contexto, é de salientar que a redução dos preços dos combustíveis contribuiu para a queda de 8% dos custos unitários das companhias aéreas em 2016, mas têm voltado a crescer no ano em curso.

Por outro lado, as companhias aéreas prevêem receber 1 850 novos aviões este ano e cerca de metade irá substituir aparelhos mais antigos e menos eficientes. A frota comercial mundial deverá crescer 3,8% em 2017, para 28 645 aviões.

 

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