O Conselho Internacional de Estivadores (IDC) exige ao Governo que “actue de imediato para repor a legalidade dos acordos em vigor e force os patrões portuários a pagarem os salários em atraso aos estivadores de Lisboa”.

A tomada de posição do IDC surge na sequência do pedido de insolvência da A-ETPL, anunciado na passada quinta-feira, um dia depois do arranque de nova greve dos estivadores do porto de Lisboa, convocada pelo SEAL.

O IDC adverte que os estivadores de centenas de portos de todo o mundo poderão vir a desenvolver acções de solidariedade para com os trabalhadores do porto de Lisboa.

“O IDC não vai tolerar que esta situação se prolongue e apela a todos os estivadores espalhados pelo mundo para que comecem desde já a planear acções de solidariedade para com os nossos companheiros de Lisboa”, refere a organização mundial de estivadores em carta ontem divulgada.

“Deixamos claro que estamos dispostos a tomar medidas, nas centenas de portos onde estamos presentes, para bloquear a acção danosa das empresas, nomeadamente do Grupo Yilport e da sua reconhecida postura antis-sindical que, tal como em exemplos anteriores, atinge agora a vida e a dignidade dos estivadores portugueses”, acrescenta o documento publicado na página oficial do IDC, organização que representa 140 mil estivadores de todo o mundo.

No documento de apoio à luta dos estivadores de Lisboa, o IDC refere-se ao Sindicato dos Estivadores e Actividades Logísticas (SEAL), que convocou a greve em curso, como “um sindicato de referência” e garante que os estivadores de Lisboa “não vão caminhar sós”.

“Uma agressão a um é uma agressão a todos, e os estivadores de Lisboa não vão caminhar sós”, refere a missiva do IDC, salientando que o “SEAL representa um perigo para o capital que quer trabalhadores desorganizados, divididos, a lutar entre si, sem combatividade, sem inteligência, sem estratégia”.

“O seu exemplo [do SEAL] para outros trabalhadores e organizações está a ser combatido há anos por um assédio brutal e continuado por parte das empresas, mas hoje os estivadores de Lisboa estão a ser alvo de um ataque sem precedentes, o qual não pode ficar sem resposta”, acrescenta o documento.

O IDC refere ainda que o ataque ao SEAL e aos estivadores de Lisboa está a ser feito por “um tridente patronal liderado pelo grupo turco YILPORT – GTO (Global Terminal Operator) interessado em que a sua rede de terminais portuários circunscrita à Europa seja alargada aos Estados Unidos da América -, acompanhado pelo Grupo português ETE e pelo Grupo espanhol ERSHIP”.

A organização mundial de estivadores adverte ainda que não esquece “o despedimento colectivo de estivadores promovido pela YILPORT, quando lhe foi concessionado o terminal de contentores de Oslo (Noruega)”.

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