O International Dockworkers Council (IDC) admite avançar para acções de solidariedade com os estivadores de Lisboa, que amanhã iniciam nova greve.

“Uma agressão a um trabalhador portuário é uma agressão a todos os estivadores. Não vamos permitir que os nossos companheiros portugueses estejam sozinhos perante estas agressões injustificadas e estamos preparados para desenvolver as acções de solidariedade que forem necessárias”, disse à “Lusa” Jordi Aragunde Miguens, coordenador mundial do IDC nos últimos dez anos.

“Há sete anos, as empresas de trabalho portuário de Lisboa tentaram acabar com a A-ETPL, e substituí-la por uma ‘pool´ de trabalhadores eventuais sem formação, sem direitos laborais, e agora estão a tentar fazer o mesmo”, acrescentou o ex-coordenador do IDC, que voltou hoje a Portugal para acompanhar ao luta dos estivadores do Porto de Lisboa, que iniciam amanhã uma greve parcial de três semanas.

A A-ETPL responsabiliza o Sindicato dos Estivadores pela degradação da situação financeira da associação e perda de cargas e de algumas linhas de navegação devido aos “123 pré-avisos de greve (uma média de mais de um pré-aviso de greve por mês), a maioria dos quais ao trabalho suplementar” emitidos pelo SEAL, entre 2008 e 2018.

A associação, que nos últimos 17 meses pagou os salários aos estivadores em dezenas de prestações, diz ainda que não tem condições para cumprir o Contrato Colectivo de Trabalho em vigor no Porto de Lisboa.

Para Jordi Aragunde Miguens, que acompanhou as negociações do SEL, com patrões e Governo português, em 2014, 2016 e 2018, os trabalhadores estão apenas a exigir que as empresas portuárias, designadamente as que pertencem ao grupo Yilport, “cumpram os acordos que assinaram e paguem o que devem”.

“Os trabalhadores estão a cumprir a sua parte e não estão a receber o que lhes é devido. A entidade patronal é que está a actuar de forma irresponsável. E está a pôr em risco a viabilidade do porto de Lisboa”, disse, acrescentando que não há nenhum outro porto onde se verifique uma situação semelhante à de Lisboa, onde as entidades patronais não cumprem os acordos assinados.

Segundo fonte do SEAL, em 2016, a recusa dos trabalhadores portuários de Algeciras em trabalharem navios em que as operações de carga/descarga no porto de Lisboa tinham sido asseguradas por trabalhadores externos ao porto de Lisboa, foi um exemplo do que podem ser as acções de solidariedade dos trabalhadores portuários filiados nos sindicatos do IDC.

“Na sequência do bloqueio de Algeciras, os armadores exigiram ao Governo português que os navios fossem trabalhados por estivadores profissionais devidamente preparados e não por pessoal externo, sob pena de deixarem de escalar o Porto de Lisboa”, acrescentou a mesma fonte.

De acordo com o SEAL, o “bloqueio de Algeciras, em 2016, foi decisivo para evitar o despedimento colectivo de cerca de 150 trabalhadores da A-ETPL e viabilizar o CCT de 2016”.

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