A Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) definiu os princípios básicos de uma estratégia provisória para baixar as emissões de CO2 do transporte marítimo.

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O acordo foi alcançado, em Londres, numa cimeira que reuniu 170 países. O encontro resultou num esboço de sete passos que agora precisa ser desenvolvido para um plano provisório previsto para 2018.

Trata-se da primeira tentativa substancial da IMO de enfrentar as alterações climáticas, 20 anos após a primeira abordagem com o Protocolo de Quioto. Quando apresentado, no início de 2018, deve representar uma visão clara, um conjunto de medidas de curto e médio prazo e metas de CO2 quantificadas para o transporte marítimo.

O transporte marítimo representa 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas um estudo da ONU de 2014 prevê que o crescimento do comércio poderá aumentar a pegada de carbono de 50% a 250% até 2050, deitando por terra o objectivo, definido nos Acordos de Paris, de limitar o aquecimento global a um máximo de dois graus centígrados até àquela data.

Na cimeira da IMO foi ainda apresentada uma proposta que solicita que o sector do transporte marítimo adopte objectivos de emissões de CO2 em linha com os do Acordo de Paris para a segunda metade do século. Embora tenha tido reacções esmagadoras de apoio, não conseguiu gerar consenso.

No encontro promovido pela IMO a China e a Índia expressaram um forte apoio aos combustíveis alternativos e uma coligação de nações do Pacífico e da Europa evidenciou a urgência de tomar medidas no sector. Alguns países com linhas de comunicação históricas – entre os quais Brasil e Chile – expressaram preocupação com os impactos potencialmente negativos das medidas de redução das

ONG desiludidas

As ONG ambientalistas não esconderam alguma desilusão no fim da cimeira da IMO.

“As diferenças políticas sobre a diferenciação e os custos potenciais das medidas impediram um progresso substancial, apesar da presença muito bem-vinda de uma forte delegação de nações do Pacífico, tão vulneráveis ​​às mudanças climáticas, que exigem um objectivo ambicioso de redução e medidas urgentes. Faltou uma sensação de urgência e as esperanças voltaram a ser adiadas para a próxima reunião, a realizar em Outubro, quase dois anos após o acordo de Paris”, afirmou Bill Hemmings, director de transporte marítimo e aviação da Transport & Environment.

“Foram feitos alguns progressos importantes, mas se o objectivo for produzir uma estratégia inicial para 2018, então é necessário engrenar outra velocidade e começar a haver concentração na questão central de como reduzir profundamente as emissões dos navios no curto prazo”, indicou, por seu turno, John Maggs, assessor sénior de políticas na Seas At Risk.

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