A impressão 3D pode provocar o “fim” do transporte marítimo de contentores, mas deverá aumentar o transporte de granéis.

A opinião e o alerta é da neo-zelandesa Diane Edwards, directora-geral do porto de Auckland e secretária-geral da Associação Internacional de Mulheres do Shippin e Trading (WISTA, na sigla em inglês).

“Creio que a impressão 3D é uma das tecnologias disruptivas que vai dizimar a contentorização no prazo de 20 anos”, afirmou a executiva no seu discurso na WISTA Conference Singapore 2018.

Numa altura em que portos e companhias de navegação continuam a apostar no investimento em mega-navios e nas estruturas para os servir, Diane Edwards, que também é especialista em gestão de mudança, avisa que o mercado ainda olha para as impressoras 3D como algo ainda limitado, mas que isso é um erro.

“Potencialmente, quando todos tiverem uma impressora 3D em casa, não quererão enviá-los [os bens de consumo] para todo o mundo”, indicou.

A executiva realçou que desde que foram lançadas, há oito anos, as impressoras 3D ficaram disponíveis nas lojas apenas três anos depois e, no presente, já são usadas para o fabrico de produtos por atacado em todo o lado.

A responsável pelo porto de Auckland vê, porém, um lado positivo para o transporte marítimo na mudança de realidade que antecipa. É que, crê Diane Edwards, o transporte de granéis tenderá a crescer, já que a impressão 3D aumentará a procura por matérias-primas.

Singapura está atenta

Nem todo os executivos vêem, porém, o mesmo potencial disruptivo da tecnologia 3D.

No mesmo painel estava Eugene Khoo, director-adjunto sénior da Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA), que está trabalhar na construção do maior porto de contentores do mundo, com uma capacidade projectada de 65 milhões de TEU.

Khoo questionou a falta de economias de escala da impressão 3D. O mesmo responsável defendeu na WISTA Conference Singapore 2018 que a MPA está a monitorizar de perto a impressão 3D, e que ainda não vislumbram os resultados antecipados por Diane Edwards.

 

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