Calais vive em verdadeiro “estado de sítio”, por causa dos protestos dos trabalhadores da MyFerryLink contra a Eurotunnel. O porto está fechado e a ligação ferroviária sob a Mancha foi interrompida. A IRU reclama a presença do Exército.

Patinter

Em vésperas do fim anunciado da MyFerryLink (o contrato de cedência dos navios da Eurotunnel à SCOP de trabalhadores da ex-SeaFrance termina a 2 de Julho) aumenta o tom dos protestos dos trabalhadores da companhia, a maioria dos quais não terá lugar na operação da DFDS, que ficará com dois dos navios.

A paralisação dos trabalhadores forçou a MyFerryLink a interromper as operações, mas os protestos, e os tumultos, determinaram mesmo o encerramento do porto de Calais.

Ao princípio da tarde de hoje, também a Eurotunnel se viu obrigada a suspender os shuttles que transportam os camiões, sob a Mancha, entre França e Inglaterra.

Apanhados no meio da confusão generalizada estão os motoristas dos pesados de mercadorias, sujeitos a longas filas – e horas – de espera e ameaçados pelos muitos emigrantes ilegais que tentam aproveitar a situação para entrar ilegalmente no Reino Unido.

A situação é tal que a IRU reclamou já que as Forças Armadas francesas apoiem a Polícia na zona do porto de Calais, na tarefa de evitar que os emigrantes ilegais subam a bordo dos camiões.

A associação internacional pretende também que o exército gaulês escolte comboios de camiões nas zonas do porto e do seu hinterland, assim como a extensão de zonas de estacionamento seguro. São ainda solicitadas “acções concretas para serem retirados os emigrantes ilegais da zona portuária”.

O delegado-geral da IRU junto da União Europeia, Michael Nielsen, não usa meias palavras nas críticas às autoridades francesas.

“A França está a falhar na sua obrigação de assegurar que as suas auto-estradas e portos sejam seguros. Os motoristas de camião estão a enfrentar um cenário cada vez mais perigoso, em particular em Calais, em resultado do falhanço francês em dar resposta aos problemas nos portos do Canal da Mancha. A França tem de tomar uma acção concertada agora, a bem da segurança dos migrantes e dos motoristas”, avisa Nielsen.

 

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