Um estudo do Fórum Internacional dos Transportes (ITF, na sigla inglesa), presidido pelo português José Manuel Viegas, questiona as economias de escala normalmente associadas aos mega-porta-contentores.

A análise conclui que a duplicação do tamanho dos porta-contentores que aconteceu ao longo da última década reduziu o custo por TEU transportado em apenas cerca de um terço, e avisa que essas poupanças baixam quanto maior é o navio. Isto é, a mais recente geração de mega-navios oferece uma redução de custos quatro a seis vezes inferior à garantida pela anterior “ronda” de crescimento.

 

Capacidade cresce mais que comércio

O estudo do ITF indica ainda que cerca de 60% da redução de custos operacionais nos navios mais recentes se deve à eficiência energética dos motores e não à sua dimensão.

A isto, a análise do organismo ligado à OCDE acrescenta o facto do crescimento da capacidade disponível para contentores estar a ser superior ao lento aumento do comércio marítimo internacional.

A análise critica também o facto deste fenómeno de crescimento dos navios estar a conduzir a processos de concentração do mercado devido às alianças que se têm formado entre os operadores.

 

Custos em infra-estruturas e segurança

Mas não se ficam por aqui as críticas económicas do ITF aos mais recentes ULCV. De facto,também se aponta o dedo aos custos de adaptação das infra-estruturas portuárias aos novos navios, os quais o estudo avalia em 400 milhões de dólares (355 milhões de euros) anuais.

O estudo avisa ainda que os riscos para a cadeia de abastecimento também aumentam com este tipo de navios, além de levantar preocupações com a segurança e com os custos de salvamento em caso de acidente.

Por todas as razões antes apontadas, o estudo conclui que um aumento ainda maior da capacidade média dos porta-contentores (já se fala em navios de 24 000 TEU a partir de 2020) poderá elevar os custos dos transportes.

 » The impact of Mega-Ships

 

 

Os comentários estão encerrados.