O presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, Fernando Barros, anunciou o acordo para o regresso do comboio à Linha do Tua, aguardado há quase um ano. Mas não se sabe ainda quando começarão as viagens.

 

O acordo foi alcançado ontem, numa reunião, em Lisboa, na Secretaria de Estado das Infraestruturas, e deverá ser formalizado até ao final do mês, criando assim as condições para o avanço do Plano de Mobilidade Turística e Quotidiana, a principal contrapartida pela construção da barragem de Foz Tua.

Depois de meses a discutir quem ficaria responsável pela linha, Fernando Barros afirmou à “Lusa” que ficou acordado que a agência, que é a concessionária do plano, será a gestora, o Governo assumirá o financiamento da manutenção e a Infraestruturas de Portugal (IP), que continua a ser a proprietária, assumirá a parte técnica, nomeadamente relativamente às obras de arte.

Fernando Barros escusou-se a adiantar os valores que o Estado irá disponibilizar para a manutenção da via, remetendo pormenores para a data da formalização do acordo.

Este acordo resolve o impasse, mas não implica que o comboio comece imediatamente a circular nos cerca de 30 quilómetros que restaram da Linha do Tua, entre Mirandela e a Brunheda. Será ainda necessário esperar pelos resultados dos testes de segurança em curso ao novo material circulante que o empresário Mário Ferreira, que vai explorar turisticamente esta zona de Trás-os-Montes, tem disponíveis há alguns meses.

A EDP entregou dez milhões de euros ao empresário para o projecto e para reabilitação da ferrovia, que já foi realizada.

Serão, no entanto, ainda necessárias outras intervenções ao longo do canal da linha, como a retirada de blocos que ameaçam queda nas encostas do Tua e a prevenção de futuros deslizamentos. Estes trabalhos contemplam a instalação de equipamento informático, através de fibra óptica, “para detectar o movimento de blocos ao longo dos taludes”, além de drenagens e reabilitação dos carris entre o Cachão e Mirandela.

A EDP já disponibilizou, segundo o presidente da agência, “3,5 a 3,7 milhões de euros para estes trabalhos”.

Falta também saber de que forma será assegurada, neste projecto, a mobilidade às populações ribeirinhas do rio Tua, uma condição imposta como contrapartida pela construção da barragem, que submergiu cerca de 20 quilómetros da ferrovia, cortando o acesso ao Tua e à linha do Douro por comboio.

A Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua é responsável pelo plano e por todos os projectos de desenvolvimento, nela estando representadas a EDP e os cinco municípios da área da albufeira: Vila Flor, Mirandela, Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça.

A barragem, com um investimento superior a 400 milhões de euros, está construída e a produzir energia e, segundo disse recentemente o administrador, Rui Teixeira, “já cumpriu todas as obrigações”.

De acordo com dados da empresa, a construção de Foz Tua resultou em compensações que ultrapassam os 30 milhões de euros no território do vale do rio transmontano.

A estes 30 milhões de euros acresce ainda o compromisso da EDP em financiar a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, também ela uma contrapartida pela construção da barragem, com 3% das suas receitas líquidas ao longo dos 75 anos de exploração.

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