A JLS, uma das maiores empresas de transportes do país, está a preparar a deslocalização da sua sede de Viseu para Paris, “empurrada” pela introdução de portagens nas ex-SCUT.

Nelson Sousa, administrador da JLS – Transportes Internacionais, que opera com cerca de três centenas de camiões, admitiu à “Lusa” que a empresa “pode mudar muito em breve”, aproveitando o investimento de oito milhões de euros que tem em curso na capital francesa.

Com esta decisão, 95% dos mais 250 trabalhadores da JLS – Transportes correm risco de ir para o desemprego, visto que a empresa prefere fazer novas contratações em França, onde considera que a legislação laboral é mais benéfica.

“Portugal não é um país atractivo para uma empresa como a nossa e a introdução de portagens nas antigas SCUT foi a derradeira prova de que não há o mínimo de sensibilidade para quem investe”, apontou o gestor, que considera que a medida favorece a concorrência desleal por parte de empresas estrangeiras. “É que não se pode ser ingénuo e pensar que as empresas estrangeiras vão, a correr, pagar as portagens na estação de Correios mais próxima”, ironizou.

A JLS tem em curso um investimento de oito milhões de euros em Paris e cerca de 20% do seu negócio já decorre no estrangeiro, uma situação que Nelson Sousa admite ser facilitadora da “decisão de mudar a sede da empresa” para a capital francesa.

Sobre o novo regime de pagamento anunciado recentemente pelo Governo, que põe fim às isenções mas introduz um desconto generalizado de 15% (que acresce aos 10% ou 25% de que já beneficiam as empresas transportadoras), Nelson Sousa diz que “não é mais que uma esmola” e que “não é de esmolas que as empresas precisam”.

“É preciso dizer que todas as ajudas são bem vindas, especialmente neste período de crise profunda, quando se luta claramente pela sobrevivência. Mas não é assim que se ajuda as empresas, com portagens em auto-estradas que, pura e simplesmente, não têm alternativas viáveis”, disse.

Para o empresário viseense, o cenário actual “denota uma clara falta de estratégia do Governo” e “prova que o sector dos transportes é claramente ignorado”.

Comments are closed.