Dentro de sensivelmente dois anos, a Janela Única Logística (JUL) portuguesa poderá estar operacional… em Badajoz, adiantou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS Juan Romero Miranda, da Plataforma Logística do Sudoeste Europeu.
Juan Romero

O projecto é uma iniciativa conjunta dos portos de Sines, Setúbal e Lisboa e da plataforma da Extremadura espanhola e acaba de ser “candidatado ao POCTEP (Projecto de Colaboração Transfronteiriça Espanha-Portugal) para co-financiamento comunitário”, acrescentou aquele responsável.

Na prática, o que se pretende é criar em Badajoz um “enclave” da JUL portuguesa, com isso agilizando os procedimentos inerentes à tramitação das mercadorias entre a plataforma extremenha e os portos nacionais, mais próximos e mais eficientes que os espanhóis, palavra de Juan Romero.

Tal como cá, também do lado de lá da fronteira a Aduana / Alfândega está envolvida no processo desde a primeira hora. “Na próxima terça-feira teremos mais uma reunião com as Alfândegas dos dois países para acertar os últimos detalhes”, referiu o gestor espanhol.

A Plataforma Logística do Sudoeste Europeu e o Porto de Sines já desenvolveram juntos um projecto no âmbito do primeiro POCTEP, “que correu muito bem”, o que motivou a esta segunda candidatura e justifica o optimismo sobre o seu sucesso. Se assim for, o co-financiamento poderá ser aprovado “dentro de seis a oito meses” e depois “serão dois anos para a implementação”.

O investimento previsto é de “2,7 milhões de euros e a comparticipação comunitária chega aos 75%, referiu Juan Romero Miranda.

Instalados que estejam os pórticos de leitura das matrículas dos camiões e dos contentores e harmonizado que sejam os sistemas informáticos, “os contentores destinados aos nossos portos estarão, na prática, como se em território nacional mal entrem na plataforma de Badajoz”, realçou, por seu turno, Vítor Caldeirinha, presidente do Porto de Setúbal.

As vantagens serão ainda potenciadas caso se concretize a pretensão de Badajoz de criar uma zona franca (com os inerentes benefícios fiscais)na plataforma logística.

Três comboios semanais em ambos os sentidos

Lançado em Julho do ano passado, o serviço ferroviário de transporte de mercadorias entre a plataforma de Badajoz e os portos portugueses atingiu esta semana a frequência de três comboios semanais.

Os produtos agro-alimentares, com destino às Américas e a África, constituem as cargas à saída de Badajoz. No regresso, os comboios da CP transportam “embalagens e alguns produtos alimentares menos processados”, referiu ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS o director da Plataforma Logística do Sudoeste Europeu.

Os tráfegos ainda não estão equilibrados mas Juan Romero não disfarça o optimismo: “como a semana tem sete dias e o domingo é para descansar, temos três comboios, ainda nos faltam outros três”.

O porto de Sines é o destino de “cerca de 55%” das mercadorias expedidas a partir de Badajoz. Setúbal “recebe 25% e o restante divide-se  entre Lisboa e Leixões”, concluiu.

 

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