A ferrovia e a via navegável do Douro são apostas de Leixões para chegar mais longe e movimentar mais cargas, segundo Nuno Araújo, novo presidente da APDL.

Poucos dias antes de ser nomeado presidente do Conselho de Administração da APDL, sucedendo a Guilhermina Rego, Nuno Araújo deu uma extensa entrevista à ” Universidade FM”, onde falou dos muitos projectos que o Porto de Leixões tem em curso ou em carteira. A ferrovia e a via navegável do Douro tiveram lugar de destaque na conversa.

Começando pela ferrovia. Actualmente, o comboio representará apenas cerca de 5% dos volumes de cargas movimentados em Leixões. A APDL aposta em aumentar essa quota, até porque a expansão da capacidade do porto tornará insustentável o crescimento do tráfego de camiões.

A reconversão do terminal de contentores Sul já permitirá a transferência de cargas dos navios para os comboios, mas além disso a administração portuária pretende recuperar a malha ferroviária interna (parte da qual foi soterrada em tempos idos) e, também, potenciar a Linha de Leixões.

A ligação a Espanha e a Salamanca, pela Linha do Douro é tida como “imprescindível” por Nuno Araújo, que a considerou “uma vantagem competitiva imensa”. Antes disso, a Linha do Douro deverá servir para canalizar o minério de Moncorvo para o porto nortenho. O agora presidente da APDL referiu que a solução projectada (desde logo com o envolvimento da TCGL, concessionária do terminal de carga geral e granéis sólidos) prevê a realização de dois comboios diários de 700 toneladas (o máximo que a infra-estrutura permitirá), com o escoamento a partir de Leixões a ser feito em navios de 50 mil toneladas.

A ferrovia será ainda importante para Leixões ficar mais perto do seu hinterland que, disse Nuno Araújo, chega ao Alentejo e a Madrid. A APDL tem uma parceria com a Zaldesa, que gere a plataforma logística de Salamanca, e olha para a zona Centro, para ali criar infra-estruturas que facilitem o encaminhamento (por ferrovia) das mercadorias para o porto.

Sobre a via navegável, o agora líder da APDL sublinhou os investimentos feitos e disse da sua expectativa em que a nova candidatura ao CEF do investimento na modernização das eclusas do Douro seja, desta feita, aprovado (no âmbito do projecto do Douro Inland Waterway). Nuno Araújo justificou o optimismo com o facto de a candidatura ter sido feita, agora, com o enfoque no transporte de mercadorias, que a União Europeia privilegiará sobre o turismo.

Actualmente, o movimento de mercadorias pelo Douro é pouco mais que incipiente (cerca de 50 mil toneladas/ano, disse), mas a realidade poderá mudar, também por força do projecto de exploração do minério de Moncorvo, uma vez que se pondera a utilização de barcaças para o transporte de parte das cargas. Recorde-se, a propósito, que a TCGL integra o Grupo ETE, que tem vasta experiência no transporte fluvial no Tejo que já demonstrou interesse em “dar o salto” para o Douro.

Ainda sobre o Douro navegável, mas agora na vertente dos passageiros, Nuno Araújo realçou o projecto-piloto do cais de Leverinho, em Gondomar, que será o primeiro cais com ligações dos navios-hotel às redes públicas de electricidade, água e esgotos. E anunciou a intenção de construir em Vila Nova de Gaia, no Cais do Cavaco, em parceria com a câmara local, um terminal de cruzeiros com capacidade para 12 navios-hotel e características de excelência em linha com o terminal de Leixões.

De volta a Leixões, Nuno Araújo disse que o termo das obras de expansão do terminal de Contentores Sul está previsto para 28 de Dezembro próximo, e que o concurso para a construção do novo terminal de contentores, no actual terminal multiusos, para a movimentação de contentores e cargas ro-ro será lançado ainda este ano.

 

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  1. Desejamos a Nuno Araújo, novo presidente da APDL, as maiores felicidades para que a sua ambição positiva expressa neste artigo se mantenha ao longo do mandato para que consiga maximizar o potencial do porto de Leixões nas suas ligações quer a Espanha quer às linhas da Beira Alta e Baixa agora finalmente interligadas possibilitando ter o acesso também á fronteira do Caia e não estar dependente exclusivamente das 2 fronteiras a Norte com os “nuestros hermanos”, muitas felicidades sinceras