Portugal deve negociar com Espanha a construção da linha de Alta Velocidade Aveiro-Vilar Formoso, como contrapartida à realização da ligação Lisboa-Madrid, defendeu Mário Lopes, na conferência do E-80, em Lisboa.

Segundo o professor do “Técnico” de Lisboa e vice-presidente da AdferSit, o Governo andou bem em dar prioridade às mercadorias sobre os passageiros nas ligações ferroviárias a Espanha. Mas impõe-se agora avançar com a ligação Aveiro-Salamanca-Irun, essencial para as exportações nacionais, mas também do Norte de Espanha e mesmo da Galiza, chegarem à Europa além-Pirinéus.

Mário Lopes defendeu, pois, que Lisboa negoceie com Madrid a “contrapartida” à linha Poceirão-Caia. Uma linha interessa mais a Espanha e outra interessa mais a Portugal, sublinhou.

Portugal deverá, então, avançar com a construção do Poceirão-Caia (até para não perder credibilidade externa) e preparar o Aveiro-Vilar Formoso e o Aveiro-Porto (da futura linha Lisboa-Porto) a tempo de candidatar esses projectos ao futuro QREN, já a partir de 2014.

A nova ligação de Aveiro à fronteira será uma obra cara (por causa da orografia), avisou Mário Lopes, podendo custar o triplo do Poceirão-Caia. Serão talvez quatro mil milhões de euros, aventou, a que se somarão dois mil milhões para o Aveiro-Porto. Mas o co-financiamento comunitário poderá chegar aos 95%, sublinhou.

A alternativa, disse, será deixar tudo como está, enquanto Espanha avança para a bitola europeia, o que implicará que Portugal – e particularmente o Norte – fique isolado, num processo de albanização que afastará os investimentos para outras paragens.

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