Os promotores de uma petição pública em defesa da requalificação e reactivação integral da Linha do Douro querem reunir até ao final do ano assinaturas suficientes para levar o assunto à discussão no Parlamento.

Petição defende reabertura da Linha do Douro até à fronteira

O documento – lançado na Régua pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e pela Fundação Museu do Douro – reclama a “completa requalificação e reabertura da Linha do Douro” (Ermesinde – Barca d’Alva e subsequente ligação a Salamanca, em Espanha).

O texto salienta a importância da linha “no quadro dos atributos que levaram à classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial pela UNESCO” e “para o desenvolvimento endógeno do Alto Douro Vinhateiro”.

A Linha do Douro está actualmente activa entre o Porto e Pocinho, mas cada vez se ouvem mais vozes que defendem a reactivação da ligação até Espanha, sendo objectivo da petição angariar o número suficiente de assinaturas para, “num horizonte de seis meses”, levar este tema à discussão na Assembleia da República.

Para uma discussão em plenário, são necessárias quatro mil assinaturas.

Segundo os promotores da petição, pede-se aos deputados para “ponderarem e promoverem que seja devidamente contemplado na versão final do Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, ou em outro instrumento público adequado, o investimento na reabertura, requalificação e modernização de toda a Linha do Douro, até Barca d’Alva”.

“Que o seja com carácter de primeira prioridade e com proporcionada dotação financeira”, e “em articulação com o Governo de Espanha” e a Comunidade Autónoma de Castela e Leão, “de modo a que seja também assegurado o investimento na ligação entre Barca d’Alva e La Fuente de San Esteban, na província de Salamanca”, reivindicam.

Em declarações à “Lusa”, António Marquez Filipe, da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, justificou o timing da petição com o facto de se estar “no final da programação relativa ao PNI 2030, momento em que irão ser
cristalizadas as opções de investimento para a próxima década”.

Adicionalmente, disse, “há hoje uma receptividade de Bruxelas para apoiar esta requalificação, que se traduzirá, seguramente, em apoios financeiros elevados”, tendo a Linha do Douro sido uma das 48 (num universo de 365) ligações ferroviárias fechadas seleccionadas por Bruxelas como tendo “potencial de reabertura”.

Também destacados por Marquez Filipe são o papel do transporte ferroviário num contexto de necessária redução das emissões poluentes, a importância “deste tipo de investimento estruturante” para o Douro, face aos actuais problemas demográficos e da economia local da vinha e do vinho, e a “não despiciente camada adicional de riqueza” com que o turismo duriense pode contribuir para a economia nacional.

Segundo os promotores, a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIMDOURO) apoia a petição, apontando a Linha do Douro como uma das três obras que considera estratégicas, a par do Itinerário Complementar 26 e do Douro’s Inland Waterway.

“Foi incluída na macroestratégia ‘Douro 2030 – Estratégia para uma Década’, remetida em 2018 à União Europeia, foi indicada pela CIM para constar no PNI e é entendida como determinante para o futuro do Douro por dinamizar a economia, fixar população, garantir maior actividade turística e ter uma vertente transfronteiriça que interessa a Portugal, à Espanha e à Europa”, sustentam.

A petição agora lançada vai estar registada online no site da Assembleia da República, estando ainda disponível para assinatura em papel.

This article has 1 comment

  1. Helder Almeida

    Gostava de assinar a petição