Apesar do aumento de 7% nas cargas movimentadas, os operadores de transporte marítimo de contentores deverão voltar aos prejuízos este ano, prevê a Drewry no seu último Container Forecaster trimestral.

A culpa, dizem os analistas, é do excesso de capacidade de oferta face à procura, e da luta dos operadores por manterem as suas quotas de mercado a todo o custo, mesmo sofrendo prejuízos com isso.

A situação só não é ainda pior porque os tráfegos intra-Ásia estão em crescendo, o mesmo acontecendo com mercados emergentes na América Latina, sublinha a Drewry. Ao invés, a situação no Ásia-Europa e no trans-Pacífico é tudo menos favorável, com a estação alta a ficar muito longe das expectativas.

Mas as perdas tenderão a agravar-se em 2012, se nada for feito para repor o equilíbrio entre a oferta e a procura de capacidade. A imobilização de navios é a resposta mais óbvia e imediata, mas os operadores estão a resistir à ideia. A frota imobilizada corresponde actualmente a cerca de 1,8% da capacidade mundial. É pouco, sublinha a Drewry.

O desequilíbrio deverá manter-se nos próximos cinco anos, resultado do “boom” de encomendas de novos navios porta-contentores. Desde Junho, a Drewry contabilizou o equivalente a dois milhões de TEU, 80% dos quais representados por navios de pelo menos 8 000 TEU.

Os principais players do sector poderão estar a apostar na saída de cena de operadores mais pequenos (que se refugiarão em nichos de mercado ou simplesmente entrarão em colapso). Mas mesmo eles não estarão ao abrigo dos efeitos da erosão dos fretes.

Além disso, destaca a Drewry no seu estudo, a entrada em operação de navios cada vez maiores está a gerar um efeito de cascata que ameaça também os equilíbrios de tráfegos de menores volumes, pressionando também aí os fretes no seu sentido da baixa.

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