A fusão entre a Carris e a EMEL “está a ser equacionada” pela Câmara Municipal de Lisboa, mas este seria “o momento mais desapropriado” para o fazer, sustenta o Executivo.

O assunto esteve ontem em cima da mesa na Assembleia Municipal de Lisboa, através de uma recomendação apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE) no sentido de propor “a reorganização do sector empresarial local do município de Lisboa na área da mobilidade, promovendo, designadamente, a fusão da Carris com a Emel [Empresa
Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa]”.

O BE foi a única força política a votar favoravelmente este documento, que foi rejeitado por PEV, PCP, deputados independentes (eleitos nas listas socialistas), PS e PSD, e contou com a abstenção de CDS-PP, PPM, PAN e MPT.

Intervindo na reunião plenária, o vereador das Finanças, João Paulo Saraiva, afirmou que “esta questão é uma questão que está a ser equacionada”, mas este “seria o momento mais desapropriado do ponto de vista da gestão organizacional”.

Para o vereador, que partilha a gestão das empresas municipais com o vereador da área, “seria completamente desajustado” uma “fusão entre empresas” num momento de recuperação de uma empresa “que estava em fase de ser aniquilada”.

“Deixemos estabilizar, vamos discutir de facto qual é a melhor estratégia – se juntarmos, se é criarmos uma holding, há várias soluções possíveis”, observou o autarca, que considerou ser “completamente extemporâneo discutir isto no meio deste momento, em que de facto está a ser exigido das empresas um esforço enorme”.

Também o vereador que tutela a Mobilidade, Miguel Gaspar, sublinhou que esta medida seria “desproporcionada”. “Na verdade, somos todos um, somos todos Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, empresas da cidade de Lisboa que estão devidamente articuladas”, acrescentou.

Para o deputado António Prôa, do PSD, este é um “assunto que merece outra atenção e outra responsabilidade que não uma mera recomendação”. Para o social-democrata, “olhar para isto é esquecer o que de facto é preocupante”, nomeadamente a “articulação da Carris com o metro”, que “não foi possível, até agora, concretizar”.

Em resposta às críticas, o deputado bloquista Rui Costa advogou que “não há necessidade de haver duas empresas para gerir a mobilidade em Lisboa” e que a mobilidade “devia ser gerida de uma forma integrada”. “É tempo de racionalizar e integrar políticas e a gestão da mobilidade da cidade”, acrescentou o autarca.

A recomendação do BE apontava que “a coexistência autónoma da Carris e da EMEL não encontra, hoje, justificação política ou económica”.

“As receitas do estacionamento público de Lisboa seriam um bom modelo de financiamento da Carris, poupando o município e a sua receita fiscal a tal encargo, associando-se ainda uma ligação estreita entre as externalidades
negativas do trânsito e da associação do transporte individual a uma melhoria e investimento no serviço público de transporte de passageiros”, apontava o documento.

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