A greve dos estivadores já passou mas os seus efeitos ainda perduram. O movimento de contentores no porto de Lisboa caiu mais de 30% entre Janeiro e Agosto e colocou o total nacional debaixo de água.

Sines - MSC Busan

Nos primeiros oito meses do ano, os portos do Continente movimentaram 1,75 milhões de TEU, menos 1,3% que no período homólogo de 2015, divulgou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

Sines cresceu 1,7%. Longe, muito longe dos crescimentos de dois dígitos e a perder terreno para a “rival”  Barcelona, mas o suficiente para superar os 946 mil TEU e garantir uma quota de mercado global de 54%. Leixões fez 448 mil TEU (mais 7,3% em termos homólogo). Setúbal continuou a liderar os ganhos, com um acumulado de 41,2% e 109 mil TEU. A Figueira da Foz avançou 16% e superou os 16 mil TEU.

Com (quase) todos os portos em terreno positivo, bastou a performance de Lisboa para pintar de vermelho o resultado nacional. O porto da capital acumulou uma perda de 30,9% e ficou-se pelos 232 899 TEU movimentados. É o pior resultado da década, sem paralelo mesmo nos outros anos em que a actividade também foi seriamente afectada pelas greves dos trabalhadores portuários.

A AMT sublinha, porém, a lenta recuperação de Lisboa. Em Agosto, por exemplo, o resultado já ficou “apenas” 10,9% abaixo do realizado h+a um ano. Mas contrastou com os ganhos de 17,5% de Setúbal, 2,7% de Sines e 1,4% de Leixões, para não falar dos 106% da Figueira (a uma escala muito diferente).

Olhando para os números globais dos principais portos, a entidade reguladora sublinha, uma vez mais, o efeito de alavancagem dos movimentos de transhipment em Sines, onde representam 78,9%, contra 7% em Leixões e 4% em Lisboa.

Menos contentores mas maiores

O decréscimo na movimentação de contentores contrasta com o aumento da movimentação das  cargas contentorizadas, que atingiu os 7,8% nos primeiros oito meses do ano.

A AMT atribui a aparente discrepância à optimização da capacidade de carga e à melhor gestão dos contentores cheios e vazios.

O relatório fixa ainda um outro dado que ajuda a explicar os números: a crescente preferência de carregadores e transportadores por contentores de maiores dimensões. Segundo os cálculos da AMT, o movimento de contentores mais pequenos terá caído 7% em unidades, ao passo que a movimentação de contentores maiores terá subido 0,9%.

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