O presidente da Câmara Municipal de Londres, Sadiq Khan, anunciou medidas para proteger os táxis da cidade, conhecidos como os “black cabs”, do crescimento da Uber. A plataforma baseada em aplicação móvel não pára ganhar popularidade na capital britânica, fruto, sobretudo, dos preços mais baixos do serviço.

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Um das medidas aprovadas pelo gabinete de Khan é permitir que os táxis usem as faixas destinadas aos autocarros, assim como criar uma linha de financiamento de até 5 000 libras (5 900 euros) por veículo para apoio à renovação da frota. Está, além disso, previsto um aumento de 500 a 600 posturas de táxis nos próximos quatro anos.

Em contrapartida, os motoristas que trabalhem para a Uber terão de passar um teste de inglês, ter seguro para todos os passageiros e fornecer os seus dados (com foto) a todos os clientes que recebam a bordo do veículo. Além disso, a autarquia de Londres pretende que todos os motoristas de automóveis com licença para transporte de passageiros – entre os quais os da Uber – tenham de passar o teste conhecido como “The Knowledge”, que é obrigatório para os taxistas.

Este exame obriga a um detalhado conhecimento da cidade, que permite que os taxistas não precisem de usar GPS. Em teoria, um taxista de Londres sabe de cor todas as ruas e vielas, teatros, pubs, embaixadas, hospitais, atracções turísticas e praças num raio de seis quilómetros do centro da cidade. Calcula-se que o estudo de preparação para esta prova demore três anos e meio e que apenas 25% das pessoas que começam o curso o terminem.

Em Londres há cerca de 23 mil táxis, contra 95 mil automóveis com licença para transporte de passageiros. De acordo com dados da Transport of London, em Junho entraram no centro da cidade 11 259 táxis, menos 8% do que o número registado em Novembro. Já o número de automóveis com licença para transporte de passageiros aumentou, na mesma comparação, 11%, para 18 453 viaturas.

A Associação de Motoristas de Táxis de Londres já saudou as medidas da Câmara Municipal. Sem surpresa, o director da Uber no Reino Unido, Tom Elvidge, condenou os planos do “mayor” Sadiq Khan, por considerar que favorecen “os ‘black cabs’ e discriminam os motoristas que usam aplicações como a Uber”.

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