Lopo Feijó cessará funções como presidente do Terminal de Contentores de Leixões (TCL) no final do mês, depois de ter vendido a sua posição accionista aos turcos da Yilport, confirmou o próprio ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Lopo Feijó

A iniciativa partiu da Yilport. Desejosos de reforçarem a sua posição na concessionária do terminal de contentores de Leixões, os turcos propuseram a compra da participação de um grupo liderado por Lopo Feijó na Socarpor, SGPS, a segunda maior accionista do TCL, precisou o ainda lider do TCL.

As negociações foram rápidas e conclusivas. No final,a Yilport, que já era maioritária na Socarpor, SGPS, passou a deter 100% da empresa e, por via disso, aumentou a sua participação directa e indirecta na TCL em mais cerca de 10%, agora para a casa dos 68%. O restante capital está nas mãos do Grupo ETE (cerca de 27%) e da própria TCL (5% em tempos adquiridos pela empresa à Artur José Borges).

Mas não só. A Socarpor, SGPS, uma das fundadoras do TCL (enquanto Socarpor Leixões), detém também a Socarpor Aveiro (concessionária de um dos terminais de Aveiro) e a Sealine, agência de navegação, que assim passam para o controlo integra da Ylport.

Fechado o negócio, Lopo Feijó apresentou a demissão de todos os cargos que exerce no grupo, com natural destaque para o de presidente da TCL, que exerce desde a fundação da empresa, que em Maio de 2000 assumiu a concessão da movimentação de contentores em Leix~0es.

“[os dirigentes da Yilport] Foram muito correctos e convidaram-me a permanecer em funções, o que recusei. Obviamente, darei toda a ajuda que me for pedida nesta fase de  transição, mas ele há um tempo para ficar e um tempo para sair, e este é o tempo para sair e dar lugar a novos”, afirmou Lopo Feijó ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

A saída está agendada para o final do mês corrente. A decisão já foi comunicada aos quadros de topo da TCL e esta semana Lopo Feijó pretende encontrar-se com o presidente da APDL, Brogueira Dias, para lhe comunicar formalmente as mudanças.

Angustiado com o futuro de Leixões

Na hora de saída, e já em jeito de balanço, Lopo Feijó diz-se satisfeito com o trabalho realizado e confiante no futuro das “suas” empresas, mas angustiado sobre o futuro de Leixões.

“O TCL cresceu muitos nestes anos, é uma empresa sólida e com planos para o futuro. O mesmo se pode dizer das outras empresas que liderei todos estes anos. Não saio preocupado, pelo contrário”, afirmou.

Já relativamente a Leixões, que ajudou a crescer, “sinto uma certa angústia por ver que se perderam anos a adiar decisões fundamentais, e o resultado, infelizmente, já começa a estar à vista: são cada vez mais as solicitações para recebermos navios maiores às quais não podemos dar resposta. Porque o efeito de cascata dos navios está aí. Há quantos anos andamos a alertar para isto?! Há cinco, seis, sete…”, criticou.

À beira de completar 71 anos, Lopo Feijó ainda não pensa na reforma. “Ainda tenho algumas empresas minhas e da família para gerir, casos da Euronave e da Contibérica. Além do que não tenho feitio para ser reformado”. Mas concede que terá mais tempo livre, que dedicará às velhas paixões do “golfe, das antiguidades, e do conhecimento…”.

 

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