Mais de um ano volvido sobre o fim da discussão pública do estudo da Autoridade da Concorrência sobre o sector portuário, ainda não é conhecido o relatório final. Luís Nagy diz ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS esperar que “este tempo seja de reflexão e de refazer o estudo”.

Grupo ETE - Luís Nagy

Em 2015, a Autoridade da Concorrência agitou o sector portuário com um relatório muito cáustico em relação aos operadores portuários. As reacções não se fizeram esperar.

“Não nos revimos nas conclusões. Até parecia que tiraram primeiro as conclusões e depois tentaram arranjar forma de as justificar”, recorda o presidente do Grupo ETE.

“Com a KPMG fizemos uma análise muito séria, baseada em factos (muitos deles apurados pela própria AdC), e entregamos um documento muito extenso. Não se tratou de uma opinião, mas de um estudo sério e fundamentado”.

Se esses contributos, e os de outros, surtiram efeito, não se sabe. Simplesmente porque não foi divulgada nenhuma versão final do estudo.

Luís Nagy evita alongar-se em comentários mas sempre diz esperar que “a AdC tenha o bom senso de perceber a nossa contestação e a de outros, e que este tempo seja um tempo de reflexão e de refazer o estudo”. Mas reconhece a dificuldade “de vir agora dizer coisa diferente. Há sempre a dificuldade de retratar-se. Mas deveria acontecer”.

Concessões mais longas são precisas

A concessão do TCGL, em Leixões, detida pelo Grupo ETE, foi a primeira a fechar a renegociação do contrato, há poucos dias apenas.

Na entrevista ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS,  concedida antes de ser conhecido o desfecho, o presidente do Grupo ETE defende a impossibilidade de dissociar os planos de investimento dos prazos das concessões.

“A questão dos investimentos é importante. E é importante a prorrogação dos prazos. Quem diz que em Portugal as concessões são longas não sabe o que diz. De facto, em todos os países europeus temos concessões bastante mais longas, a começar por Espanha”.

“Não é possível haver investimentos nos portos se os prazos forem extremamente curtos. Porque não se investe porque não há tempo para recuperar o investimento, ou seja, a vida útil dos investimentos é superior à da concessão, o que não faz sentido. Ou então os preços têm de subir substancialmente”, remata.

No caso do TCGL, o acordo firmado prevê, no essencial, um investimento de cinco milhões de euros da concessionária, tendo como contrapartida um acréscimo de cinco anos na duração do contrato.

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