Mesmo sem greve, os portos espanhóis já terão perdido mais de 100 milhões de euros por causa do conflito sobre a nova lei do trabalho portuário. As negociações prosseguem amanhã. O governo adiou por uma semana a discussão do diploma no Congresso dos Deputados.

Porto de Valência - Noatum

O adiamento já era previsível dada a falta de apoio dos diferentes partidos ao texto aprovado pelo governo de Mariano Rajoy. O Executivo precisa de uma maioria simples para fazer passar o diploma que, diz, cumpre na íntegra com as exigências da Comissão Europeia e pode evitar a Espanha o pagamento de uma multa milionária a Bruxelas.

A justificação oficial, porém, é a de dar tempo aos patrões e sindicatos negociarem um acordo social, à luz da nova legislação. A discussão e votação do decreto real estava agendada para a próxima quinta-feira, dia 9, agora deverá acontecer dia 16.

Empresas de estiva e sindicatos voltam a reunir-se amanhã para tentarem um entendimento. Mas as esperanças de sucesso são reduzidas. Até porque, criticam os sindicatos, o governo se mantém à margem dos encontros.

Se nada acontecer, as greves parciais dos estivadores avançam no próximo dia 10.

Facto é que, mesmo sem greve declarada, os portos espanhóis já estão a sofrer. Particularmente Algeciras e Valência. Cerca de meia centena de embarcações foram desviadas e vários serviços foram reordenados para evitar as escalas no país vizinho. A produção dos terminais de contentores mais afectados terá caído cerca de 30% ao longo do mês de Fevereiro.

O Ministério do Fomento contabiliza já 105 milhões de euros de prejuízos. Mas a factura deverá continuar a subir.

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