Depois da Hapag-Lloyd, é agora a vez da Maersk Line anunciar a suspensão das escalas no porto de Lisboa por causa da greve dos estivadores.

Maersk Line - Lisboa

A Maersk Line comunicou hoje ao mercado a suspensão das escalas em Lisboa dos seus serviços WAF5 e WAF9, de ligação aos mercados de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Em comunicado, a que o TRANSPORTES & NEGÓCIOS, a companhia dinamarquesa justifica a decisão com a ausência de “qualquer desenvolvimento na situação de greve existente no porto de Lisboa”. A paralisação iniciou-se em meados de Novembro e com o passar do tempo a situação vem-se deteriorando “levando a produtividade a níveis insustentáveis”, acrescenta a operadora.

De facto, ao que  o TRANSPORTES & NEGÓCIOS apurou, a produtividade no porto da capital, que já não era brilhante na movimentação de contentores, terá atingido mínimos de sete movimentos/hora, provocando óbvios atrasos na libertação dos navios, com os operadores portuários e os dirigentes sindicais a responsabilizarem-se mutuamente pela situação.

Em alternativa a Lisboa, a Maersk Line anuncia que as cargas de exportação serão encaminhadas por Leixões ou Sines, enquanto as cargas de importação serão concentradas em Leixões.

Hapag-Lloyd foi a primeira a suspender as escalas

Antes da Maersk Line já a Hapag-Lloyd anunciara a interrupção das escalas no porto de Lisboa. Primeiro foi o serviço MCA (Mediterranean Canada Express), que trocou a capital por Leixões (que assim ganhou a primeira ligação directa à América do Norte).

Depois foi a vez do MPS (Mediterranean Pacific Service), sendo que neste caso a suspensão das escalas deixa Portugal fora da rotação, uma vez que Leixões não tem capacidade para receber os navios de tamanhas dimensões. “Uma situação que evidencia, se necessário, a urgência de avançar com a construção do terminal de -14 metros!”, referiu ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS uma fonte da TCL, a concessionária do terminal de contentores do porto nortenho.

Greve sem fim à vista

Enquanto isto, continua sem fim à vista a greve dos trabalhadores portuários. Pelo contrário, o seu prolongamento até ao fina do corrente ano é um dado praticamente adquirido por todos.

E assim sendo, mais companhias poderão optar por deixar o Tejo. Recorde-se que há dois anos a MacAndrews trocou em definitivo Lisboa por Setúbal. E o mesmo poderá fazer, por exemplo, a OPDR, que agora integra o grupo CMA CGM e que também já escala o porto do Sado.

Na origem da paralisação, convém lembrá-lo, está o fim do CCT dos trabalhadores portuários de Lisboa e a entrada em vigor plena da nova legislação do trabalho portuário.

 

 

This article has 6 comments

  1. acacio dos santos cruz

    Os trabalhadores devem avaliar se vale a pena fazer greve , ou colocar em causa o seu posto de trabalho , e a economia do país . Que sejam bem pagos , sim se merecem ok . Caso contrário devem ganhar conforme a produtividade !. temos de ser justos .

  2. Se trabalhacem como nos aqui na alemanha ok ganhemos um pouco mais mas paguemos tambem mais e estamos sempre prontos ao trabalho coisa que muitos ai so querem emprego e näo trabalho

  3. Os operadores do Porto de Lisboa afastaram 50 trabalhadores desde 1 de Novembro de 2015. A greve dos estivadores é à condição de os operadores colocarem pessoas estranhas ao serviço a desempenhar funções no Porto de Lisboa, pelo que até ao momento essa situação não ocorrido, nenhum trabalhador do Porto de Lisboa parou portanto 1 minuto até ao momento desde 14 de Novembro. Agora expliquem se é a greve que está a causar esta situação.

  4. Amigo Acacio, os estivadores não estao em greve. tem é um pre aviso de greve e irão parar caso os patrões coloquem novos trabalhadores nos seus lugares sem ser com condições idênticas a do actuais trabalhadores.

    Os patroes o que querem é explorar os novos trabalhadores e a pouco e pouco irem substituindo os que la estão obrigando-os a precariedade ou despedimento.

    Em relação aos navio estarem parados e com atrasos, a razão é simples. todos os trabalhadores já chegaram ao limite máximo de horas extraordinárias permitidas pela nova lei dos Portos, o que impossibilita que estes trabalhadores fazer mais horas extraordinarias, enquanto isso o patrao despediu 50 trabalhadores com contratos temporarios ( ja la estavam a mais de 7 anos ) por nao terem assinado um novo contrato em que lhes baixava drasticamente as condiçoes de trabalho. E como tal nao tem trabalhadores suficientes para despachar os navios. E com o pre aviso de Greve, o patrao tem tres opções, ou colocar os trabalhadores despedidos e novos trabalhadores com condições idênticas a dos actuais trabalhadores ( o sindicado aceita isto ), ou Mantem esta situação por tempo indeterminado ate prejudicar bastante o porto de lisboa, a economia nacional, e por fim a propria empresa criando uma situaçao de insolvencia e poderam despedir todos os trabalhadores por insolvencia e criar uma nova empresa com trabalhadores precarios, ou colocar ja neste momento trabalhadores sem formaçao suficiente para terem rendimento no porto e acatar com a greve dos actuais trabalhadores.

    a soluçao esta sempre do lado dos patroes, agora era preciso é que eles deixassem apenas de ver os ja enormes lucros que tem e deixarem de ser ganaciosos e colocassem mais trabalhadores e era criada uma nova paz laboral aumentando a produtividade, os lucros, o numero de trabalhadores e ajudava a economia nacional.

    esta é a realidade, só é pena nenhum meio da comunicaçao social a passar ca para fora!

  5. Alexandre Silva

    Despedimento já! Com tanta gente a querer trabalhar! Estes Sres estivadores prejudicam a economia do pais, gravemente… e prejudicam-se a eles próprios, quando deixar de haver barcos a escalar o porto de Lisboa, os postos de trabalho extinguir-se-ão, e eles ficarão sem posto de trabalho… talvez então fiquem contentes!

  6. Quem quer que seja que tenha razão ou não tenha o que é certo é que já tinha ficado provado em anos anteriores que a greve dos portos de Lisboa nada resolve pois mal ou bem os agentes e transitários bem como os carregadores fartos das demoras e problemas causados acabam por escolher alternativas como Sines, Setubal ou Leixões.
    Leixões no auge destas greves e com meios muito mais diminutos conseguiu sempre dar melhor escoamento de trafego ainda que acumulado com o de Lisboa do que Lisboa consegue em dias normais e isso é uma tremenda prova de falta de produtividade de Lisboa para não dizer absoluta inexistência. Não é por causa das greves que Lisboa se tornou ineficaz mas sim pela mentalidade das pessoas que lá trabalham que optam por não serem produtivas e consequentemente têm destruído um dos portos mais atractivos da Europa.
    É triste constatar que tão poucos conseguem afectar e até destruir a vida de tantos com a sua maneira de actuar arrastando para situações económicas difíceis carregadores, transitários, despachantes, transportadores, etc afastando as cargas da nossa capital e arrastando o pais para uma situação económica ainda mais difícil do que a que vivemos.
    Por mim acho que como em todas as empresas é necessário avaliar se os trabalhadores são produtivos ou não e mediante isso actuar. Em 2009 já era tarde terem sido retirados todos os elementos “mafiosos” que tanto nos prejudicam a todos dia a dia.