Os motoristas das matérias perigosas estão em greve. A ANTRAM denuncia a ilegalidade; o sindicato anuncia uma adesão de 100%.

Os motoristas de transporte rodoviário de matérias perigosas iniciaram hoje uma greve por tempo indeterminado, convocada pelo respectivo sindicato. A ANTRAM rejeitou, de novo, os fundamentos da paralisação e exigiu o cumprimento da lei.

“Face à greve convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), a ANTRAM não pode deixar de denunciar o atropelo da legalidade que está a ser cometido por este sindicato, quer pelo facto de não ter promovido a organização dos serviços mínimos, quer pelo facto de não incentivar os trabalhadores em greve ao cumprimento desses serviços”, disse, em comunicado, a associação.

Reconhecendo que a greve é “um direito constitucionalmente previsto”, a ANTRAM sublinhou que o “cumprimento das regras da sua execução” decorre igualmente da mesma Constituição, e exigiu que o Governo “assuma as suas responsabilidades, que accione todos os meios de que dispõe para impor a legalidade e a normalidade democrática, fazendo cumprir, desde já, os serviços mínimos determinados”.

“Os piquetes de greve estão a ultrapassar os limites da legalidade ao impedir trabalhadores que não pretendem aderir à greve de exercer a sua actividade”, vincou.

A paralisação dos motoristas de matérias perigosas teve início às zero horas de hoje, decorrendo concentrações em Aveiras, no Barreiro, em Sines e em Matosinhos.

“A greve abrange todos os trabalhadores do sector do transporte de matérias perigosas […] e irá prolongar-se por tempo indeterminado até que as entidades competentes decidam sentar-se à mesa para chegar a um consenso”, disse à “Lusa” o presidente do SNMMP, Francisco São Bento.

Ao final da manhã, o sindicato reclamava uma adesão de 100% à paralisação. “Até ao momento não saiu um único camião, a não ser aquilo que estava previsto para abastecer os hospitais”, afirmou à “Lusa” um dirigente sindical.

Os serviços mínimos fixados pelo Governo compreendem o “abastecimento de combustíveis aos hospitais, bases aéreas, bombeiros, portos e aeroportos, nas mesmas condições em que o devem assegurar em dias em que não haja greve”, bem como o “abastecimento de combustíveis aos postos de abastecimento da Grande Lisboa e do Grande Porto, tendo por referência 40% das operações asseguradas em dias em que não haja greve”.

O sindicato dos motoristas de matérias perigosas optou por impugnar o despacho. À “Lusa”, Pedro Pardal Henriques, assessor jurídico do SNMMP, questionou o motivo de ter sido estabelecida uma diferença entre habitantes de Lisboa e Porto e residentes do resto do país.

“A ideia dos serviços mínimos é salvaguardar o indispensável para o dia-a-dia. Abastecer os aeroportos não é indispensável para o dia-a-dia”, frisou.

» ANTRAM rejeita greve dos motoristas das matérias perigosas

 

 

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