O Mercosul lançou oficialmente em Assunção as negociações para o tratado de comércio livre com o Canadá, numa altura em que as negociações com a União Europeia ainda não terminaram.

 

“Estamos a lançar oficialmente as negociações e informamos que, daqui a duas semanas, o processo negocial começa na cidade de Otava” entre 20 e 23 deMmarço, disse o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, anfitrião de um encontro que juntou hoje na capital do Paraguai os chefes das diplomacias do Mercosul.

Numa declaração conjunta, os ministros do Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai afirmaram que apontaram para “um acordo comercial Canadá-Mercosul”, com “um compromisso partilhado para a liberalização do comércio e de mercados abertos”.

De acordo com o ministro argentino, Jorge Faurie, os dois lados esperam assinar o acordo até ao final do ano.

O Mercosul, um mercado comum sul-americano, está há quase 20 anos em negociações com a União Europeia (UE) para um acordo de comércio livre, processo que não tem sido facilitado pelos agricultores europeus.

“Achamos que vai ser mais rápido do que as negociações com a União Europeia”, disse Faurie, que garantiu que o Mercosul sabe o que vai “discutir e trocar”.

O diálogo com o Canadá, que será representado pelo ministro do Comércio, François-Philippe Champagne, abordará o acesso aos mercados de bens e serviços, as questões de empregabilidade, o ambiente e as pequenas e médias empresas.

Negociações com UE prolongadas

As negociações entre o Mercosul e a União Europeia começaram em 1999 e foram completamente interrompidas entre 2004 e 2010.

Na semana passada, representantes dos dois lados falharam em finalizar as negociações, tendo decidido prolongá-las pelo menos por mais duas semanas.

“Há uma grande vontade política para avançar o mais rapidamente possível com a União Europeia”, assegurou o ministro paraguaio.

“Os últimos detalhes são os mais pesados, os mais complicados”, disse o ministro argentino, mas “os dois lados estão dispostos a finalizar com sucesso este acordo”. “Se não for este ano, nunca mais será”, concluiu o político argentino.

O Mercosul, atualmente composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, conta
ainda com a Venezuela como membro, embora este Estado tenha sido suspenso em
2016.

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