O transporte ferroviário é o eleito para escoar o grosso do minério que a MTI se propõe extrair de Moncorvo a partir do segundo semestre do próximo. O camião fará o resto. O transporte fluvial não é opção, pelo menos para já.

CP Carga

Dois comboios por dia, 360 dias por ano, transportarão 458 mil toneladas/ano de minério entre as minas de Moncorvo e o porto de Leixões, para exportação. Não chegará mas a CP e a Infraestruturas de Portugal apenas conseguirão assegurar essas circulações na Linha do Douro (considerando as limitações da via e a prioridade que sempre é dada ao tráfego de passageiros, nomeadamente no serviço suburbano do Porto).

A MTI, que detém a concessão das minas de Moncorvo, prevê arrancar com a exploração no segundo semestre de 2016 e atingir, numa fase inicial, uma produção de  500-750 mil toneladas/ano, avançou ao “Público” o consultor da empresa para as questões ambientais.

E porque o transporte ferroviário não conseguirá escoar toda a produção, será feito recurso ao transporte rodoviário, com os operadores a aproveitarem os eventos retornos em vazio de transportes internacionais para rendibilizarem parte do trajecto.

O minério viajará, em ambos os casos, e também na exportação por mar, em “mineral big bags”, com uma capacidade de 2,5 toneladas cada, considerados ideais para manusear, armazenar e transportar.

Dificuldades na navegação inviabilizam o Douro

A utilização da via navegável do Douro para o escoamento do minério também chegou a ser ponderada mas terá sido abandonada por causa das limitações de capacidade no troço entre a Régua e o Pocinho.

“Ainda estudamos a possibilidade de transportar o minério em camião de Moncorvo até ao cais de Lamego [em frente à Régua na margem sul do Douro], mas os custos de operação eram tão caros, que fica mais barato ir directamente de camião para Leixões”, disse Carlos Guerra, citado pelo “Público”.

A APDL tem em curso estudos para melhorar a navegabilidade do Douro, com o co-financiamento do Mecanismo Conectar a Europa (CEF, na sigla em inglês), e projecta candidatar investimentos no Douro à chamada do próximo ano. A resolução dos estrangulamentos de capacidade integra as prioridades.

A navegação turística é actualmente a mais dinâmica no Douro, mas a APDL aposta em dinamizar o transporte de mercadorias (restrito praticamente desde sempre à exportação de granito), usando para o efeito os cais de Lamego, de Sardoura e de Várzea do Douro.

Além do mais, a APDL olha com interesse para o potencial de transporte de mercadorias com origem/destino nas margens espanholas do Douro.

Descartada nesta fase inicial, a opção fluvial poderá colocar-se de novo à MTI mais à frente, ultrapassados que estejam os estrangulamentos agora detectados e quando a produção de Moncorvo atingir os 2,2 milhões de toneladas/ano, quando atingir a velocidade de cruzeiro, como se prevê num horizonte de oito anos.

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